O comunicado do Copom

Leia a íntegra do comunicado da primeira reunião do Copom em 2017, na qual a Selic baixou para 13% ao ano:

"O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente;

No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto. Entretanto, até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados;

A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico;

A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 4,8% para 2017, e mantiveram-se ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes;

As projeções condicionais do Copom também recuaram em relação às divulgadas no Relatório de Inflação passado, que foram baseadas no conjunto de informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016. Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram influenciados por dados de inflação e atividade econômica divulgados desde então. As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente; e

Os passos no processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

O Comitê ressalta os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:

Por um lado, (i) o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação; (ii) o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária requer atenção contínua; (iii) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;

Por outro lado, (iv) a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade na economia podem produzir desinflação mais rápida que a refletida nas projeções do Copom; (v) a inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e (vi) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia pode ocorrer de forma mais célere que o antecipado.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.

O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião. Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel."

ESTÁ DIFÍCIL ACOMPANHAR TODAS AS NOTÍCIAS?

O Antagonista publica mais de 100 notícias por dia. Receba diretamente em seu e-mail, todos os dias, um resumo com as notícias mais quentes e relevantes, além de artigos exclusivos.

Arrow form bottom


Comentários (4)

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem.

soriano

Mas ainda somos a maior taxa de juros reais do Mundo (quase o dobro da taxa da Russia), nos Estados Unidos a taxa de juros reais é NEGATIVA EM 0,93% AO ANO.
AGORA NA FAZENDA E NO PLANEJAMENTO NINGUÉM FALA EM CORTE DE DESPESA(redução de jornada com cortes de salários, redução de cargos em confiança, redução da frota de veículos oficiais, redução de benefícios do tipo auxilio aluguel, quinquênios, acabar com viagens internas e externas dos 3 poderes, eliminar residências oficiais para funcionários públicos e instalá-los em flats, implantar plano de férias etc)


Excelente notícia! Que continue assim cortando esses juros escandalosos.
Corte rápido Temer. Os banqueiros e o mercado financeiro já ganhos demais nos governos anteriores. Corte mais!
E corte os juros do cheque especial e do cartão de crédito. A meta deveria ser 12 de juros reais ao ano nesse segmento bancário e nada mais. O país vai sair da crise.


Jose

Em resumo até fim do ano "os especialistas do mercado" se dividiam entre 0,25 e 0,50; até ontem a grande maioria apostava em 0,50 e hoje temos 0,75 com unanimidade (100% do Copom). Qual o valor dos "ditos especialistas" ficarem "chutando" essas decisões? Chega a ser ridículo.


Ernesto

Que boa notícia! Vamos sair desta crise.