A boa estratégia de Sergio Moro e o erro dos procuradores

Se tudo der certo, Ricardo Pessoa, dono da UTC, preso desde o início da deflagração da Operação Lava Jato, poderá abrir a boca — furando os acordos de leniência marotos que Lula, Dilma e José Eduardo Cardozo se empenham em costurar com a empreita bandida, via CGU e TCU.

De acordo com a Veja, Ricardo Pessoa está no seu limite físico e psicológico. “Posso pegar de 90 a 180 anos de prisão”, tem dito ele.

É verdade. A cana que o outrora poderoso da UTC pegará será tão dura, ou mais, do que a de Marcos Valério, operador do mensalão. E, para a vida de Ricardo Pessoa, pouco valerá saber que a UTC continuará fechando contratos com o governo, no caso de os acordos de leniência prosperarem. Se o governo conseguiu mantê-lo razoavelmente calado até o momento é porque acenou com algo mais: a possibilidade de que, nos tribunais superiores, a sua pena seja reformada o suficiente para colocá-lo em prisão domiciliar o quanto antes.

O governo apresenta uma possibilidade; o juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato apontam uma certeza: pena relativamente pequena, em caso de delação premiada. O único erro do Ministério Público é querer que Ricardo Pessoa conte tudo o que sabe sobre todos os esquemas de corrupção em todas as estarais com as quais a sua empresa tem contratos. Ele resiste à exigência. Entre o ideal e o possível, seria melhor que ficassem com o possível neste momento: o Petrolão. Bastaria para fazer implodir o PT e abrir o processo de impeachment de Dilma.

Um último ponto, não menos importante: a pressão sentida por Ricardo Pessoa ocorre graças ao uso estratégico da prisão preventiva pelo juiz Sergio Moro. Ao contrário do que afirmam os seus críticos, ele está quebrando a coluna dos presos dentro da legalidade. Há a materialidade do crime e há o risco de os réus interferirem indevidamente no processo, duas condições básicas para a decretação da prisão preventiva. Estivesse solto, Ricardo Pessoa não se sentiria tão acuado.

Faça o primeiro comentário