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A carta que Elcio Franco pode explicar à CPI da Covid

Senadores têm muito a perguntar sobre ofício a suposto "vendedor da AstraZeneca"
A carta que Elcio Franco pode explicar à CPI da Covid
Foto: Júlio Nascimento/PR

Elcio Franco, que foi o nº 2 do Ministério da Saúde na administração Pazuello, tem muito a explicar sobre uma carta assinada por ele em janeiro. Os senadores da CPI da Covid podem aproveitar a oportunidade nesta quarta (9).

No começo deste ano, o governo enviou carta a uma empresa que se apresentou como “vendedora da AstraZeneca” – sem explicar até hoje como verificou se essa empresa de fato poderia obter as doses da vacina, ou por que abriria mão de obter metade delas para o programa nacional de imunização.

Reprodução/Ministério da Saúde/via LAI
O texto completo da carta foi obtido por O Antagonista via Lei de Acesso à Informação e publicado em abril.

Assinaram a carta Elcio Franco, então secretário-executivo do Ministério da Saúde; José Levi Mello, então chefe da AGU; e Wagner Rosário, ministro da CGU.

A existência da carta foi revelada por O Globo ainda em janeiro. O jornal noticiou que o documento foi enviado à própria AstraZeneca, mas, ao menos no documento fornecido a O Antagonista, isso não procede. A destinatária foi a empresa BRZ Trade – “vendedor da AstraZeneca”, segundo a carta – com cópia para a BlackRock Holdings.

Em setembro de 2020, meses antes de essa carta ser assinada, a Fiocruz já havia fechado contrato com a AstraZeneca. O acordo, segundo a Fiocruz publicou na época, garante o acesso a 100,4 milhões de doses do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) necessário para produzir a vacina no Brasil.

Procurada por O Antagonista, a AstraZeneca informou que “não tem negociações em andamento e nem representante de venda da vacina para os mercados estaduais, municipais ou privado”.

Os senadores podem perguntar a Elcio Franco:

1. Como o Ministério da Saúde verificou que a BRZ Trade havia negociado compra de doses da vacina da AstraZeneca?

2. Se havia doses da vacina da AstraZeneca disponíveis no mercado, por que o Ministério da Saúde abriu mão de comprar todas, satisfeito com apenas metade da compra a ser feita pela BRZ Trade?

3. Na data da assinatura da carta [22 de janeiro], o então ministro Pazuello tinha outro compromisso? Por que a carta foi assinada pelo então secretário-executivo Elcio?

Na agenda pública do Ministério da Saúde, não constam compromissos de Pazuello em 22 de janeiro. Porém, Pazuello assinou naquele dia oito portarias e um decreto, como pode ser visto no Diário Oficial.

Procurado em abril, Gustavo Campolina não respondeu a O Antagonista como a BRZ Trade poderia obter as supostas doses oferecidas ao governo.

CLIQUE AQUI para ler a carta na íntegra.

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