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À CPI, Elcio Franco admite que assinou carta a suposto vendedor sem consultar AstraZeneca

Carta foi enviada em janeiro a suposto "vendedor da AstraZeneca"
À CPI, Elcio Franco admite que assinou carta a suposto vendedor sem consultar AstraZeneca
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Elcio Franco admitiu nesta quarta (9) à CPI da Covid que o governo federal enviou carta a uma empresa que se apresentou como “vendedora da AstraZeneca” sem consultar a farmacêutica antes.

Como O Antagonista mostrou, Franco assinou carta em janeiro deste ano em que o governo diz não ter objeções sobre uma “possível disponibilidade de até 33 milhões de doses da vacina AstraZeneca contra Covid-19 a serem adquiridas pelo setor privado brasileiro”, desde que pelo menos metade fossem doadas ao programa nacional de imunização e que as doses importadas não fossem comercializadas, entre outras condições.

O jornal O Globo noticiou em janeiro que o documento foi enviado à própria AstraZeneca, mas isso não procede. O documento foi obtido por O Antagonista via Lei de Acesso à Informação e publicamos a íntegra em abril. A destinatária foi a empresa BRZ Trade – “vendedor da AstraZeneca”, segundo a carta – com cópia para a BlackRock Holdings.

Reprodução/Ministério da Saúde/via LAI
Ontem (9), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) perguntou a Franco: “Eu pergunto: essa manifestação aqui estava em consonância com o que a gente tinha em termos de legislação e, principalmente, em garantia do interesse do SUS? Porque, se existiam vacinas passíveis de aquisição, por que o ministério não adquiria?”.

Elcio Franco respondeu: “Porque essas vacinas não foram oferecidas ao ministério. O que nós identificamos é que não seria uma ação concorrente com o SUS, mas que se somaria. Mais tarde também consultamos a AstraZeneca e identificamos que essa estrutura não era nominada oficialmente, oficializada pela AstraZeneca para comercializar a vacina”.

Ou seja: o governo só consultou a fornecedora “mais tarde”.

Procurada por O Antagonista em abril, a AstraZeneca informou que “não tem negociações em andamento e nem representante de venda da vacina para os mercados estaduais, municipais ou privado”.

Procurado três vezes, Gustavo Campolina, da BRZ Trade, nunca respondeu às perguntas de O Antagonista.

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