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A cronologia de um crime

A cronologia de um crime
Foto: Adriano Machado/Crusoé

A Folha de S. Paulo prestou um favor inestimável à CPI da Covid, publicando a cronologia de todos os contatos documentados entre a Pfizer e o governo, durante os quais o laboratório ofereceu suas vacinas e foi ignorado pelo bolsonarismo.

O Antagonista toma a liberdade de reproduzir a cronologia integralmente, porque ela é capaz de guiar os leitores e, sobretudo, os membros da CPI, que precisam desmentir os criminosos com provas documentais, e não com esperneio retórico.

31 de julho de 2020

Pfizer pede audiência urgente com a pasta. País registrava cerca de 92,5 mil mortes

4 de agosto de 2020

Ministério confirma reunião para dia 6 de agosto

8 de agosto de 2020

País ultrapassa marca de 100 mil mortos por Covid-19

14 de agosto de 2020

Empresa envia a proposta formal para fornecimento de futura vacina. Previsão era de 70 milhões de doses, acima das 30 milhões discutidas anteriormente

17 de agosto 

Envia um email a técnicos da Saúde um link para acessar documentos com informações sobre a vacina e a proposta. Envia um segundo email a técnicos da Economia informando sobre a proposta que havia sido feita

18 de agosto de 2020

Pfizer afirma que consegue antecipar 1 milhão de doses para entrega em ainda 2020, após aval da Anvisa. Email reforça que a validade da proposta era 29 de agosto e pede urgência para resposta

19, 21, 25 e 26 de agosto de 2020 

Pfizer faz contato telefônico e eletrônico e pede uma posição do ministério. Envia proposta com revisão no cronograma e entrega de doses

29 de agosto de 2020

Data limite da primeira oferta. Não há documento entregue pela Pfizer à CPI referente a este dia. Mortes por Covid-19 passam de 120 mil

2, 12 e 15 de setembro de 2020

Pfizer faz novo contato com ministério e se coloca à disposição para reunião sobre o andamento dos estudos da vacina. No período, presidente mundial da Pfizer encaminha mensagem a Bolsonaro e Pazuello. Empresa diz que fechou acordo com os Estados Unidos e reforma que celeridade é crucial, pois há número limitado de doses em 2020. Email enviado ao presidente Bolsonaro e ministros é encaminhado a integrantes do Ministério da Saúde

14 de outubro de 2020

Número de mortes já passava de 150 mil no país. Empresa envia dados ao Programa Nacional de Imunizações

27 de outubro de 2020

Reunião entre Pfizer e governo para retomar as negociações

10 de novembro de 2020

Pfizer tem reunião com Bolsonaro, Guedes e Wajngarten. Foi reapresentada a proposta de 70 milhões de doses, com um mínimo a ser adquirido no primeiro semestre e o restante no segundo semestre. Empresa reforça que contrato será efetivado somenta após aval da Anvisa, ‘sem qualquer risco/prejuízo financeiro ao país caso nossa vacina não receba o registro’

13 de novembro de 2020

Número de mortes chega a quase 165 mil. Ministério confirma reunião com a empresa para 17 de novembro

Dia 24 de novembro de 2020

Pfizer manda termos atualizados do acordo. Validade da proposta é 7 de dezembro. Depois disso, doses serão distribuídas a outros países

2 e 3 de dezembro de 2020

Empresa tenta contato telefônico e eletrônico, relata ter deixado inúmeras mensagens, mas não obteve a resposta

4 de dezembro de 2020

Ministério envia uma contraproposta à empresa

6 e 9 de dezembro de 2020

Pfizer pede reunião para discutir contraproposta e mostra que memorando de entendimento depende de medida provisória do governo, ainda a ser editada

10 de dezembro de 2020

Ministério fecha memorando de entendimento com a Pfizer. Brasil chega perto de 180 mil mortes 

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