A culpa é, sim, de FHC

Fernando Henrique Cardoso foi um dos melhores presidentes — se não o melhor — que o Brasil teve ou terá. Com todos os problemas que enfrentou ou possam ser atribuídos a ele na Presidência, o país subiu vários degraus na economia, na organização social, na respeitabilidade internacional e até mesmo no nível da política feita em Brasília quando comparada àquelas anteriores e posteriores aos seus mandatos.

Dito isso, Fernando Henrique Cardoso é culpado.

Culpado por ter instituído a reeleição, movido pela vaidade pessoal.

Culpado por ter torpedeado a primeira tentativa de José Serra eleger-se presidente, tanto por rivalidade pessoal como pelo desejo de passar a faixa a um “operário”, no que enxergava ser o coroamento da transição democrática.

Culpado por ter preservado Lula durante o auge do mensalão, quando até mesmo os petistas não acreditavam que ele pudesse livrar-se de ser tragado pelas denúncias.

Culpado por ter acreditado que, preservando Lula, o “operário” se juntaria a ele na formação de um grande partido de centro-esquerda que uniria PSDB e PT, legitimado por movimentos sindicais.

Nada disso é especulação ou simples análise histórica. Tudo é fato.

A culpa política de termos chegado a este ponto é, sim, de FHC.