A dobradinha Alcolumbre-Pacheco nasceu nas mensagens roubadas da Lava Jato

A dobradinha Alcolumbre-Pacheco nasceu nas mensagens roubadas da Lava Jato
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Impedido pelo STF de tentar a reeleição inconstitucional como presidente do Senado, Davi Alcolumbre está animadíssimo com a possibilidade de fazer de Rodrigo Pacheco seu sucessor.

Até aqui, o senador de Minas Gerais de primeiro mandato, líder da bancada do DEM, tem o apoio garantido de sete partidos, podendo chegar a oito amanhã, totalizando, em tese, 39 dos 41 votos necessários para ser eleito. A votação é secreta.

Ainda em novembro do ano passado, Alcolumbre pediu e recebeu do Palácio do Planalto a benção para apostar no correligionário. Com o nome definido, passou a cobrar dos demais partidos, incluindo o PT, os acordos que já tinham sido feitos para a sua reeleição.

O Antagonista lembra que a afinidade entre Alcolumbre e Pacheco ficou clara em junho de 2019, no episódio em que o presidente do Senado tentou votar, no afogadilho, o projeto de abuso de autoridade de autoria de Renan Calheiros (MDB). Na época, a Câmara acabou aprovando outra proposta semelhante, com o apoio decisivo dos deputados Arthur Lira, hoje candidato de Jair Bolsonaro à presidência da Câmara, e Ricardo Barros, hoje líder do governo Bolsonaro na Câmara, ambos do Progressistas.

É preciso recordar como se deram as articulações para a tentativa de aprovação da matéria, inicialmente, no Senado.

Partiu de Alcolumbre a ordem para que Pacheco, então relator do projeto na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado, acelerasse e concluísse seu relatório. Quando? Exatamente dois dias depois dos primeiros vazamentos de mensagens envolvendo Sergio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

Pacheco estava com a relatoria do projeto havia 83 dias. Mas o relatório só ficou pronto após a missão recebida de Alcolumbre. A leitura do parecer, favorável ao projeto, foi feita logo no dia seguinte à ligação do senador do Amapá — o assunto foi pautado pela senadora Simone Tebet, agora candidata do MDB à presidência do Senado, como item extrapauta da CCJ, colegiado presidido por ela.

A este site, na ocasião, Pacheco disse que a ressurreição do projeto dias após o vazamento das mensagens roubadas envolvendo a Lava Jato não passava de uma “coincidência”. Simone, por sua vez, alegou que pautou a matéria a pedido de Alcolumbre, depois de uma reunião que teria ocorrido somente com líderes prediletos do senador do Amapá.

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