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"A gente quer ajudar o Bolsonaro, mas o cara não quer ser ajudado"

“A gente quer ajudar o Bolsonaro, mas o cara não quer ser ajudado”
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Para o Centrão, Jair Bolsonaro, ao rifar a médica Ludhmila Hajjar, escolheu continuar enfrentando a pandemia da Covid do mesmo jeito de sempre.

A gente quer ajudar, mas o cara não quer ser ajudado. Então, que se dane”, disse a O Antagonista um deputado próximo de Arthur Lira, que trabalhou para emplacar Ludhmila no Ministério da Saúde.

Perguntamos a esse interlocutor do presidente da Câmara se não foi “ingenuidade” achar que Bolsonaro toparia colocar no lugar de Eduardo Pazuello uma pessoa contrária à cloroquina e a favor do isolamento social, por exemplo.

A resposta foi assim:

“É um momento muito delicado. Câmara e Senado se uniram para pensar em uma pessoa que não fosse ser contestada do ponto de vista científico e que tivesse bom trânsito com a política: ela é médica de quase toda a cúpula da República. A gente quis ajudar. Ninguém quis faturar com essa indicação, não é momento para isso, porque o ônus é muito grande.”

Líderes do Centrão dizem não entender por que Bolsonaro, sabendo das posições de Ludhmila, chamou-a para conversar no domingo.

“Ele sabia o que ela pensa sobre tudo. Se fosse para exigir alguma coisa diferente, não precisava ter chamado para conversar. A verdade é que o Bolsonaro pode ceder um pouquinho, quando fica pressionado, mas é difícil ele se conter”, comentou um deputado do grupo político.

Um parlamentar que chegou a se reunir com o presidente da Câmara no fim de semana para interceder a favor de Ludhmila acrescentou:

Esse Marcelo Queiroga já foi enquadrado, está claro. O Bolsonaro vai fazer com ele a mesma coisa que fez com todos os outros ministros, e a situação vai se complicando. Por mais que seja dado ‘um cavalo de pau’ na questão das vacinas, nós estamos atrasados uns quatro, cinco meses. E até lá, vamos fazer o quê? O certo seria o isolamento social. Só tem o isolamento social, neste momento, para combater isso.”

No entorno de Lira, há quem pense também que o deputado alagoano “se precipitou” ao defender com muito afinco o nome da cardiologista rifada por Bolsonaro.

Acho que ele se perdeu no tom e nas informações. A pressão das redes sociais acabou sendo determinante para a decisão do presidente de não aceitá-la.

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