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A guerra de Olavo de Carvalho com os militares

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Em poucos meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro consumiu boa parte de seu capital político no meio do fogo cruzado entre os militares e a chamada ala ideológica do governo, liderada por Olavo de Carvalho.

Os ataques do ideólogo da Virgínia ao núcleo militar já ocorriam desde a campanha presidencial, mas ganharam muito mais virulência em 2019.

O general Hamilton Mourão foi o principal destinatário principal dos petardos de Olavo.

O vice-presidente foi chamado, entre outras coisas, de “idiota”, “imbecil”, “vergonha para as Forças Armadas” e “charlatão desprezível”.

Olavo também provocou o general Augusto Heleno pelo fato de ele conversar com a imprensa: “Você não tem vergonha, Heleno?”

E reclamou do protagonismo do porta-voz da Presidência, o general Otávio Rêgo Barros.

Também insuflou o ataque coordenado ao general Santos Cruz, então ministro da Secretaria de Governo, chamado por ele de “politicamente analfabeto”, “monstro de auto-adoração e empáfia” e “bosta engomada”.

Em referência ao general Eduardo Villas Bôas, que sofre de doença degenerativa, Olavo chegou a afirmar que oficiais militares buscam “proteção escondendo-se por trás de um doente preso a uma cadeira de rodas”.

Da parte de Bolsonaro, não se ouviu nenhuma palavra de censura diante da declaração repulsiva. Pelo contrário. No mesmo dia do insulto, o presidente disse que o ideólogo da Virgínia era um “ícone” e que “continua admirando o Olavo”.

Pouco depois, o presidente ainda o condecorou com a Ordem do Rio Branco, em seu mais alto grau, a Grã-Cruz.

Por trás da guerra entre Olavo e os militares está a disputa por influência polpuda no governo. Como mostrou a Crusoé, há nos ataques um movimento para que a ala mais ideológica tomasse o controle da verba da comunicação.

De fato, o general Santos Cruz, antes de ser demitido da Secretaria de Governo, segurou o dinheiro da Secom e se recusou a abastecer blogs governistas.

Bolsonaro já disse esperar que “os desentendimentos” entre os militares e Olavo sejam “uma página virada por ambas as partes”.

Da parte dos militares, a ordem é ignorar os ataques do ideólogo da Virgínia.

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