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"A ideia de furar teto existe. Qual é o problema?", diz Bolsonaro

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Jair Bolsonaro confessou há pouco que o governo debate a possibilidade de furar o teto de gastos.

Em live, o presidente afirmou que ministros têm o procurado para pedir mais recursos para obras públicas.

“A ideia de furar teto existe, o pessoal debate. Qual é o problema? O ministro diz: ‘Presidente, já furamos o teto em R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões?’. Eu pergunto qual é a finalidade. Se for para vírus, não tem problema nenhum. ‘Ah, mas entendemos que água é para a mesma finalidade. E daí? Já gastamos R$ 600 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bilhões ou não?'”

Segundo Bolsonaro, Guedes afirmou que o aumento de recursos para investimento público em obras poderia sinalizar ao mercado que o governo está “furando o teto”.

“O Paulo Guedes diz que está sinalizando para o mercado que está furando o teto, dando um jeitinho. O outro lá na ponta diz que não vai aceitar jeitinho. Em vez de ligar, telefonar, isso vaza aqui do nosso meio.”

E acrescentou:

“Falou-se em fazer uma consulta ao TCU. Não fizeram, mas o pessoal vem como se estivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto, como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção de arranjar mais R$ 20 bilhões é para a água no Nordeste, revitalização de rios, Minha Casa, Minha Vida.”

Como temos mostrado, o governo tem procurado uma forma de driblar o teto de gastos para aumentar o investimento público em obras no pós-pandemia. No plano Pró-Brasil, a Casa Civil esperava conseguir cerca de R$ 30 bilhões para os ministérios de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional.

O Planalto chegou a preparar uma consulta ao TCU para viabilizar o uso de recursos extras abertos para combater a pandemia para abastecer as obras. Após críticas, o governo recuou da consulta.

Uma outra tentativa foi orquestrada com lideranças do Centrão. A ideia era prorrogar o decreto de calamidade pública para 2021, estendendo também o período de vigência do Orçamento de Guerra.

Ontem, Bolsonaro reuniu Davi Alcolumbre, Rodrigo Maia e ministros para reafirmar, em pronunciamento, o respeito ao teto de gastos. No encontro, no entanto, o presidente definiu que o governo abrirá R$ 5 bilhões em créditos extras para financiar obras das pastas de Rogério Marinho e Tarcísio Freitas.

 

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