A íntegra do depoimento de Emerson

Só para lembrar, Emerson Leite revelou ao MP que José Carlos Bumlai requisitou os serviços para a reforma do sítio quando Lula estava em tratamento de câncer, que cobrou pressa e ficou irritado com o atraso.

Emerson trabalhava para o frigorífico Bertin. Ele desconfia que o dinheiro saiu da Usina São Fernando, abastecida por sua vez com recursos do BNDES.

Confira a íntegra do depoimento:

“O depoente trabalhou no grupo Bertin desde 2004. Não mais trabalha lá. A última grande obra que tocou foi o Rodoanel em São Paulo. Nessa obra também trabalhou Rômulo Dinalli. Explicou que o grupo Bertin, que trabalha com frigoríficos e se trata do grupo que fundiu com JBS (João Batista – dono do frio boi) em conjunto com José Carlos Bumlai construíram a Usina São Fernando. Não tem acesso aos documentos, mas essa informação é de conhecimento público. Mencionou que em determinada oportunidade, ou seja, quando Lula saiu do governo e a Dilma entrou, na época coincidente com o câncer do Ex-Presidente, recebeu uma ligação telefônica de José Carlos Bumlai solicitando que ele indicasse um profissional para execução de uma reforma num sítio em Atibaia, interior de São Paulo.”

“O depoente como não mexia com reforma de casa solicitou que Rômulo providenciasse um arquiteto. E esse arquiteto chama-se Igenes Neto. O prazo para a reforma era exíguo. Ele exigia que a reforma fosse feita até o fim do ano, justamente, para as pessoas passarem o Natal. O depoente não sabia que possivelmente o sítio seria destinado ao Ex-Presidente. Em determinado momento da reforma, José Carlos Bumlai ligou agressivamente ao depoente reclamando que a obra não progredia. O depoente, por sua vez, disse que tinha atribuição na Usina Termoelétrica de Porto de Aratum e que não podia se desdobrar para atendimento daquela demanda, que nada tinha a ver primordialmente com seu trabalho. Daí na sequencia, José Carlos Bumlai resolveu mudar a construtora que trabalhava no local, sob o argumento de demora injustificada. O depoente esclareceu que a mulher de Lula, dona Marisa Letícia, visitou o sítio e soube dessa informação por intermédio de Igenes Neto, que acompanhou a obra, inclusive, ficava hospedado no hotel em Atibaia.”

“Conheceu o porteiro “Maradona”, caseiro do sítio, que, inclusive, mora no sítio. Salientou que dona Marisa visitou o sítio para acompanhar a reforma. Em relação a construtora que sucedeu a empresa de Adriano dos Anjos na reforma do sítio, o depoente disse que tem quase certeza, por conta de informações do próprio José Carlos Bumlai, no momento de ira ao telefone que quem ocuparia o espaço na reforma seria a OAS. Esclareceu que conseguiu compreender esse fato porque o próprio José Carlos Bumlai ao telefone disse que: ‘aqueles caras que eles haviam indicado seriam incompetentes’ e que ‘ele colocaria uma empresa competente para fazer a reforma, que seria a Odebrechet’; entretanto, o depoente acredita que, efetivamente, quem trabalhou no local foi a OAS, porque várias vezes o Neto dizia isso, ou seja, que provavelmente era a OAS quem estava lá. Interpelado se estava junto com a Odebrechet disse que não, pois as informações recebidas por Neto revelavam que apenas a OAS era quem fazia a reforma. Explicou que o meio para descobrir isso com mais facilidade seria a identificação do hotel em que os trabalhadores estavam hospedados.”

“A ordem inicial de reforma era a criação de mais cômodos (suítes), anexo ao prédio principal que era antigo. Havia piscina no local. Havia lago com carpas. Quando o depoente estava lá não havia sequer antena de celular. É capaz que depois tenham inserido. Não chegou a conhecer o mestre de obra da reforma. Não conheceu Fernando Bittar e Jonas Suassuna, mas apenas “Maradona” que abria o portão para os trabalhadores. Mais uma vez indagado sobre a suspeita da participação da OAS na reforma disse que Neto – arquiteto – que acompanhou a obra comentou. Ele comentou algum nome da empresa. Esclareceu que os trabalhadores estavam sem uniforme. Mencionou, ainda, que foi feita uma reforma na sauna do sítio. Também mencionou que na piscina havia uma infiltração. Enunciou que havia um campo de futebol no fundo do sítio já deteriorado. A casa também tem uma guarita na entrada, tem uma casa de caseiro, a casa é feita com pedra e tijolinho a vista, tem lagos onde se cria peixes para pesca, churrasqueira. O sítio é em aclive. Suspeita que realmente quem pagou Adriano dos Anjos foi a própria Usina São Fernando. Eles chegaram a terminar a estrutura metálica.”