A PF de Bolsonaro

A PF de Bolsonaro
Reprodução/Facebook/Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro levou para sua live ontem o delegado Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal no Amazonas. Saraiva era o nome que o presidente da República queria no Rio de Janeiro, pivô da crise que levou à saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

Em maio, o delegado confirmou tudo em depoimento no inquérito que apura a ingerência de Bolsonaro na PF, e no qual fica claro que Alexandre Ramagem, da Abin, atuava como longa manus presidencial.

“No início do segundo semestre de 2019, recebeu uma ligação do dr. Ramagem, perguntando ao depoente se ele aceitaria assumir a superintendência da Polícia Federal no RJ, ao que o depoente prontamente aceitou.”

No mesmo depoimento, Saraiva revelou ainda que chegou a ser sondado, ainda na transição, para assumir o Ministério do Meio Ambiente, mas as conversas não foram para frente.

Nos grupos de delegados da PF, a presença de Saraiva na live de Bolsonaro foi vista como um mau sinal para a instituição, pois o cargo de superintendente é eminentemente técnico.

Ao longo da transmissão, o delegado acabou tendo de endossar declarações toscas, como a de que índio troca madeira por cerveja.

Chama atenção ainda a preferência do presidente por Saraiva, que, em 2006, comandou a Operação Euterpe, que desbaratou o maior esquema de corrupção de fiscais do Ibama no Rio.

Na ocasião, a PF prendeu mais de 30 pessoas, entre fiscais e empresários. Um dos presos foi consultor Carlos José Ruffato Favoreto, aliado do clã Bolsonaro. Presidente do Golfe Olímpico e dono de uma consultoria ambiental, Favoreto foi braço-direito do falecido empresário Pasquale Mauro, acusado de grilar imensas áreas na Barra da Tijuca.

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