A primeira prova de fogo de Rodrigo Pacheco

A primeira prova de fogo de Rodrigo Pacheco
Foto: Alan Santos/PR

A CPI da Covid, protocolada hoje, será a primeira prova de fogo do novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o candidato vitorioso de Jair Bolsonaro, que deve ser investigado pela comissão.

Há pouco, ele disse a jornalistas ter sido informado de que a CPI foi protocolada com o número de assinaturas exigido — foram 30 apoios, três a mais, portanto, que o mínimo necessário. E prometeu “avaliar os requisitos” do requerimento.

Randolfe Rodrigues (Rede), autor do pedido, disse a O Antagonista que Pacheco deveria ler ainda hoje ou, no mais tardar, na próxima terça-feira o requerimento da CPI. É muito pouco provável que isso ocorra.

Pacheco fará de tudo para ganhar tempo. Enquanto isso, o governo vai trabalhar para tentar retirar assinaturas e derrubar a CPI no seu nascedouro — entre o momento do protocolo e a leitura em plenário, podem ser retiradas ou acrescentadas assinaturas; se a lista cair para 26 apoios nesse tempo, será necessário uma nova coleta.

Entre os signatários, há senadores do Podemos, do Cidadania e da esquerda, que não devem recuar. Os três senadores do Amazonas, onde a situação da pandemia é especialmente dramática, também não dão sinas de que retirariam o apoio.

“Uma coisa é não abrir CPI de fatos pretéritos, como era o caso da CPI da Lava Toga. Outra coisa é uma CPI para investigar um tema tão atual e com fatos determinados claros. Será difícil o Pacheco não abrir”, disse um experiente senador do MDB.

Nos bastidores, acredita-se que Pacheco acabará atuando junto com o Planalto para tentar retirar assinaturas, o que não será fácil. Como constitucionalista, o presidente do Senado poderá dizer que está se debruçando sobre a análise jurídica do requerimento. Mineiro que é, provavelmente não agirá de forma açodada. Na campanha para o comando do Senado, Pacheco chegou a dizer que CPIs são instrumentos legítimos, claro, mas nem sempre “o melhor caminho para soluções”.

Temos todos motivos de sobra para desacreditar em CPIs, mas nesse caso, diante de uma tragédia sanitária ainda em curso, a comissão poderia ter a sua razão de ser.

“Na prática, se a gente continuar tendo mais de mil mortes da doença por dia, não vai ter Pacheco, não vai ter ninguém que aguente a pressão popular por uma CPI”, afirmou a este site um dos signatários.

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