Ações de Feira e Xepa na reta final

No despacho em que revoga a prisão preventiva de Mônica Moura, Sérgio Moro diz que as ações penais contra ela e o marqueteiro João Santana estão na reta final.

A primeira ação (Operação Acarajé) está com a instrução encerrada. A segunda (Operação Xepa) está em fase final de instrução, faltando poucas testemunhas e os interrogatórios dos acusados.

Moro ressalta que Feira e Xepa admitiram em interrogatório recente o recebimento de US$ 4,5 milhões numa conta secreta no exterior como parte de dívidas da campanha de eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

Segundo Moro, no momento não é possível afirmar se tinham ou não ciência da origem dos recursos em contratos fraudados da Petrobras.

Leiam o trecho:

“Em ambas, foram acusados de receber milhões de dólares em conta secreta no exterior e milhões de reais em espécie no Brasil do esquema criminoso da Petrobras. Os valores, segundo o MPF, foram pagos a eles para remunerar serviços em campanhas eleitorais no Brasil.

Em depoimentos no inquérito, João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura afirmaram, em síntese, que os valores seriam pagamentos de campanhas eleitorais que teriam realizado no exterior e que não seriam de campanhas no Brasil, pois não assumiriam o risco de receber valores não contabilizados no Brasil, citando o exemplo do ocorrido com José Eduardo Cavalcanti de Mendonça na Ação Penal 470 que, aceitando receber pagamentos não registrados, culminou por receber dinheiro de procedência criminosa de Marcos Valério Fernandes de Souza e, por isso, foi acusado de lavagem de dinheiro.

Mais recentemente, no interrogatório da ação penal 5013405-59.2016.4.04.7000, alteraram a versão dos fatos e reconheceram que os pagamentos que constituem objeto daquela ação penal foram feitos em remuneração por serviços prestados na eleição presidencial de 2010.

Muito embora esses valores, cerca de 4,5 milhões de dólares, tenham por origem, como admitido pelo coacusado Zwi Skornicki, acertos de propinas no esquema criminoso que vitimou a Petrobras, João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura alegaram, desta feita, que não tinham ciência da origem e natureza criminosa dos valores recebidos.

Inviável conclusão deste Juízo no presente momento acerca da presença ou não do agir doloso, ou seja, se tinham ou não eles ciência da origem e natureza criminosa dos valores”.

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