Agamenon: "Tá todo mundo inoculado!"

Agamenon: “Tá todo mundo inoculado!”
Agamenon/O Antagonista

Saí de férias e não aconteceu nada. Não morri de Covid durante as férias que passei trancado no meu Dodge Dart 73, enferrujado, estacionado na Rua da Amargura s/n, um logradouro cada vez mais congestionado, lotado de brasileiros que não têm condição de mudar para Portugal. Se tivesse morrido, teria passado “desta pra melhor”, coisa que não vai acontecer com ninguém até 2022. Pelo menos.

Para alívio geral, o General Pançuello avisou que a vacinação vai começar no dia D, na hora H num país de M que fica na PQP. Tudo secreto, como toda operação militar de responsa, que é pra pegar o vírus de surpresa, pela retaguarda. Vencido o vírus inimigo, Pançuello será promovido a General da Bunda, 4 estrelas e condecorado com a medalha de São Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas.

A operação militar já está toda esquematizada pelas nossas FFAA (Fardados Fanfarrões & Alienados Armados). As seringueiras da Amazônia já foram todas estatizadas que é para não faltar seringa para inocular os 220 milhões de brasileiros. Na vanguarda do desembarque vai uma “tropa de assalto” formada por milicianos treinados pelo Comando Vermelho e pelo PCC. Apoiando o ataque, uma unidade do Regimento de Obuses Autopropulsados (8 RegObAuto). Eles vão roubar as vacinas para vender no Mercadão de Madureira. 

Quem ficar no caminho será imediatamente fuzilado por balas de cloroquina, uma espécie de campanha profilática para diminuir o número de contaminados.

E na retaguarda? Não vai nada? Claro que vai! Vai a injeção de Astra Zeneca Bisurada Tabajara substituindo a vacina da Pfizer que custa mais caro que Viagra. O brasileiro, acostumado a tomar na bunda, vai ter que pagar “deiz reau” pelo certificado de que já foi vacinado. O Lula vai até pendurar o dele na sala, afinal será o primeiro diploma que ele recebe na vida. 

Só falta resolver uma questão: quem vai ter prioridade para ficar imunizado? Como tudo neste país, a questão já foi judicializada e o Supremo já resolveu: primeiro, o pessoal do Judiciário, depois os familiares do pessoal do Judiciário e, em seguida, os amigos do pessoal do Judiciário (Kakay, inclusive). O que sobrar vai ser dividido entre os milicianos, as facções e o PCC. 

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista e pesquisador do Butantan – Instituto de Psiquiatria Aplicada. 

Leia mais: A causa desse desgoverno é política, como mostra a Crusoé desta semana.
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