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Agamenon: Um rublo de Natal

"O Natal não passa de uma invenção pequena burguesa eivada de hipocrisia e demagogia"
Agamenon: Um rublo de Natal
Agamenon/O Antagonista

O Natal não passa de uma invenção pequena burguesa eivada de hipocrisia, demagogia, sentimento de culpa pequeno burguês e, principalmente, para melhorar as vendas de final de ano.

Mas, para não perder a enchança, nem o “Espirito Natalino” e muito menos o cachê, vamos ao tal conto de Natal, afinal tá ruim pra todo mundo.

Numa noite de inverno, no dia 23 de março de 1953, o camarada Stalin morreu solitário em sua dacha, nos arredores de Moscou. Guia Genial dos Povos, líder inconteste do povo soviético, o político e intelectual mais sagaz de todos os tempos, único herdeiro de Marx , Engels e Lenin, ele foi direto para o céu. Por aclamação, é claro.

Recepcionado por São Pedro em pessoa, Josef Vissarionovich Stalin tratou imediatamente de entender a conjuntura política celeste e a correlação de forças à luz do materialismo histórico e dialético. Em poucas semanas, Deus nomeou Josef secretário-geral e membro permanente da Executiva do Limbo e do purgatório. Graças à sua extraordinária capacidade de trabalho, em mais alguns meses, Stalin foi cooptado para a secretaria-geral do Presidium do Paraíso e para a executiva do Comitê Central do Celeste Supremo.

Foi então que, durante uma reunião do Pleno, Stalin acusou São Pedro de burocratismo e conformismo pequeno burguês contra revolucionário. São Pedro foi imediatamente destituído de todos os seus cargos e removido para uma nuvem muito distante, para refletir e preparar uma profunda autocrítica. O clima político celestial começou a ficar pesado. Percebendo as mudanças, Jesus Cristo resolveu se antecipar, acusando o próprio pai de nepotismo e culto à personalidade. Não satisfeito, acusou a própria mãe, Nossa Senhora, de tráfico de influencia e corrupção passiva. Mesmo assim, JC acabou preso por espionagem, sabotagem e traição

Deus foi interrogado pelo Felinto Miller e pelo Laurenti Beria (que haviam sido reabilitados) várias vezes e depois foi mandado para o Brasil, já que, pelo passaporte, Deus é brasileiro.
Stalin fez uma limpa geral em toda a “santarada” acusada de traição. A causa? Conluio, espionagem, sedição e conspiração contra a ordem celestial. Mais de 300 santos foram imediatamente fuzilados, inclusive São Jorge — acusado de falso militarismo — foi destruído do cargo. No seu lugar, Stalin nomeou o Dragão. Anjos, arcanjos, serafins e querubins foram também objeto de inquéritos e tribunais celestiais revolucionários.

Jesus Cristo também caiu em desgraça acusado de culto a personalidade e outros desvios pequenos burgueses como charlatanismo e falsos milagres. Quem acusou mais uma vez foi o Poncio Pilatus. No pau-de-arara JC, negou três vezes, mas a porrada foi tanta que, na quarta, ele confessou tudo inclusive conspiração com a CIA o FBI e os imperialistas romanos.

Em seguida, Stalin logo tratou de fazer um pacto de não-agressão com o diabo, mas não assinou. Porém, aproveitou a visita ao Reino das Trevas para cravar mais uma picareta na cabeça do Trotsky. Só para garantir.

Mas, infelizmente, nem mesmo a eternidade dura para sempre. Um dia, caiu um avião onde estavam a família Bolsonaro, Lula, Zé Dirceu e Valdemar Costa Neto. O grupo foi direto para o céu a convite do Stalin. Mas isso já é um outro conto de Natal.

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