André Singer e a máquina de costura

André Singer é um bom moço, o seu lado bad boy é ser petista. Ex-porta-voz do governo Lula, ele assina uma coluna de Opinião na Folha de S. Paulo. Na coluna deste sábado, Singer critica Dilma Rousseff pela “desconexão entre palavras e atos”: por ter feito uma campanha de esquerda, montado um ministério de direita, cortado dinheiro para benefícios sociais — e, assim, estar contribuindo para impedir a construção no Brasil do Estado de Bem-Estar Social, que o “neoliberalismo” está desmontando na Europa.
O colunista da Folha cita o “velho barbudo” (Karl Marx), para dizer que é na prática que se demonstra a verdade. Singer aparenta exigir coerência entre a fala de Dilma e os seus atos. Na realidade, ele usa a sua máquina de costura ideológica a serviço de Lula, seu antigo patrão, que quer voltar à Presidência em 2018, como pretenso opositor da atual presidente. Lula vai se vender outra vez como a síntese dialética no teatrinho do PT — e, para isso, conta também com os seus intelectuais de plantão. Leremos ainda muitos textos como os de Singer nos próximos quatro anos.