"Ao invés de arregaçar as mangas, ele fica gerando crises. Não entro nessa", diz Marco Aurélio, sobre Bolsonaro

“Ao invés de arregaçar as mangas, ele fica gerando crises. Não entro nessa”, diz Marco Aurélio, sobre Bolsonaro
Foto: Nilson Jr/SCO/STF

Questionado sobre as novas provocações de Jair Bolsonaro, Marco Aurélio Mello, decano do Supremo, disse a O Antagonista que o momento é de “temperança, de cerimônia entre os poderes”. “Nada de partir-se para um papo que não condiz com a envergadura do cargo”.

“O que está me preocupando é a fragilização das instituições. Isso preocupa muito. Decorre disso, de críticas ácidas, como tivemos há pouco tempo, do presidente da República. Não sei onde iremos parar”, disse.

Para o ministro, o “presidente nada nas crises à braçada”. Ele quer crise, que é a forma de ele falar aos eleitores dele. E ao invés de arregaçar as mangas para trabalhar, nesse momento da pandemia, ele fica gerando crises. Não entro nessa.”

Mais cedo, junto a apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro reclamou da tramitação, no STF, de uma acusação de genocídio.

O caso já foi arquivado, porque a Procuradoria-Geral da República não viu crime na conduta do presidente, mas houve recurso, que será julgado no plenário pelos ministros.

Marco Aurélio entende que quando o Ministério Público, que é o titular da ação penal, pede o arquivamento, não há possibilidade de o ministro levar o caso adiante.

“A rigor, a notícia-crime tinha que ser apresentada ao MP, mas querendo potencializar a notícia, apresentam no protocolo do Supremo. Mas se o titular pede o arquivamento da notícia-crime, porque não tem elementos, a lei me autoriza a arquivar”, explicou.

Para ele, as críticas de Bolsonaro não se sustentam.

“É ruim, não constrói. A crítica, quando positiva, é sempre bem-vinda. Não queremos só aplausos, se claudicamos, deve-se criticar. Agora, decisão judicial se impugna, mediante recurso. Se ele sair trombeteando, o leigo ouve, o exemplo vem de cima, e pensa que só se tem no tribunal salafrários. Está na hora de temperança, de cerimônia entre os poderes. Nada de partir-se para um papo que não condiz com a envergadura do cargo, disse.

Outra queixa recorrente de Bolsonaro, repetida hoje, refere-se a decisões do Supremo no ano passado que asseguraram autonomia para governadores e prefeitos fecharem o comércio e rodovias, por exemplo, impedindo o presidente de derrubar restrições.

“A primeira decisão foi minha. Está na Constituição que incumbe a União, estados, Distrito Federal e municípios cuidar da saúde. Agora, alguém tem que atuar. A melhor vacina que se tem é o isolamento, para quem pode. O momento é de temperança e apego a princípios”, afirmou.

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