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Apesar da confusão, Novo acredita ter tempo de 'arrumar a casa' para 2022

Criado em 2011 com a pretensão de ser, de fato, um partido "novo", a sigla se vê enlameada em intrigas e disputas de poder, como qualquer outra
Apesar da confusão, Novo acredita ter tempo de arrumar a casa para 2022
Foto: Divulgação/João Amoêdo/Flickr

O anúncio da desistência da pré-candidatura de João Amoêdo para 2022, na noite de ontem, é resultado de uma situação “muito ruim” no partido.

Não é de hoje que Amoêdo deixou de ser unanimidade internamente. Em 2018, o empresário tinha o apoio de uma maioria bastante significativa dos filiados e acabou, como candidato ao Planalto, sendo uma importante vitrine para a legenda, que elegeu oito deputados federais.

O tempo passou e a liderança dele foi sendo questionada nos bastidores. Em abril, mostramos, por exemplo, que a ala que não se considera “da Faria Lima” falava em necessidade de “oxigenação” na condução do partido e defendia outros nomes para a disputa de 2022, incluindo Bernardinho e até Sergio Moro.

Enquanto isso, desde antes da pandemia, Amoêdo vinha conversando com os atores do chamado “polo democrático” (ou “centro expansivo”, pois cada dia surge um novo nome) e se colocando como o interlocutor do Novo na tentativa de construção de uma terceira via para a corrida presidencial do ano que vem.

Foi nesse contexto que a relação entre ele e outras lideranças da sigla, como deputados federais e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, azedou. A forma de escolha do candidato do Novo ao Planalto também não ajuda: é complexa e alvo de muitas críticas internas. Quando o nome de Amoêdo surgiu como pré-candidato novamente em 1º de junho, houve uma reação imediata de quem simplesmente não gosta do empresário e de quem, mesmo não tendo nada contra ele, não concordava com a forma como o processo estava sendo tocado.

Filiados, então, de uma outra ala do Novo se apressaram em apresentar como opção o nome do deputado federal Tiago Mitraud, de Minas Gerais. Virou uma guerra de assinaturas. O racha ficou evidente, o constrangimento se tornou difícil de esconder e, como consequência, Amoêdo acabou abrindo mão da pré-candidatura, queixando-se de “falta de unidade”.

“Não quero falar disso, ninguém quer falar disso publicamente. Não queremos gerar mais briga, porque o clima está muito ruim”, disse uma fonte do partido, em reservado, a O Antagonista.

Um dos principais pontos de atritos no Novo atualmente é a percepção, refutada, de que há uma ala bolsonarista que, em tese, defenderia apoio ainda que tácito à reeleição do presidente “contra a volta do PT”. Quem coloca a cara como uma espécie de porta-voz do partido, porém, sempre nega apoio irrestrito ao presidente da República e sustenta que não concordar com algumas ações de Amoêdo ou não encampar uma nova candidatura dele não faz do filiado um apoiador de Bolsonaro.

Também pedindo reserva, uma outra fonte do Novo afirmou a este site que, francamente, desconhece alguém com liderança no partido que “elogie Bolsonaro” ou mesmo que defenda que ele é um “bom presidente” e “mereça ser reeleito”, por exemplo. O que há, ainda na avaliação dessa fonte, é a existência, sim, de filiados que fazem contas políticas e temem perder apoio em suas bases se “baterem demais no presidente”.

Fato é que o Novo — criado em 2011 e que se propusera a ser, de fato, um partido “novo” — se vê enlameado em intrigas e disputas de poder marcadas por vaidades e brigas por espaço, nos mesmos moldes que os brasileiros estão cansados de observar em qualquer outra legenda.

A despeito do clima “muito ruim” e das trocas de acusações nos bastidores, incluindo ameaças de expulsão, no entanto, gente com capacidade de influência no partido acredita que, a um ano e quatro vezes das eleições gerais, “vai dar tempo de arrumar a casa até 2022”.

“Ainda bem que tudo isso está acontecendo agora e não mais para frente”, resumiu a fonte.

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