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Após bagunça com vacinação de adolescentes, governo celebra "empenho" para vacinar população

Governo só contratou em março deste ano vacinas suficientes para todos os adultos brasileiros
Após bagunça com vacinação de adolescentes, governo celebra “empenho” para vacinar população
Foto: Alan Santos/PR

O governo Bolsonaro, acredite se quiser, celebrou nesta segunda (27) o próprio “empenho” para “vacinar toda a população”.

Em comunicado à imprensa enumerando as façanhas de mil dias da administração, a Secom escreveu: “E o empenho do Governo Federal para vacinar toda a população atinge marcas importantes, como a média móvel de casos e de mortes que já apresenta queda de mais de 70%. Mais de 267 milhões de doses já foram distribuídas. Dessas, 222 milhões já foram aplicadas nos braços dos brasileiros”.

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Reprodução/Governo do Brasil
Há apenas 12 dias, o Ministério da Saúde retirou do programa nacional de imunização os adolescentes sem comorbidades, sem qualquer motivo. O próprio Marcelo Queiroga admitiu, em coletiva de imprensa, que foi cobrado pelo presidente sobre a “questão dos adolescentes”.

Na quarta passada (22), os adolescentes sem comorbidades foram reincluídos no programa. Na prática, vários estados e municípios ignoraram a trapalhada do ministério e prosseguiram a vacinação de todos os adolescentes. Quando saiu a nota técnica excluindo os jovens sem comorbidades, 3,5 milhões de adolescentes já haviam recebido a 1ª dose, sendo 2,4 milhões no estado de São Paulo.

O governo demorou muito para registrar “empenho” para vacinar toda a população – inclusive literalmente, no sentido de empenhar dinheiro para comprar vacinas.

O Brasil terminou 2020 com apenas um contrato de compra de vacinas – o acordo para a Fiocruz envasar 100,4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Como é uma vacina em duas doses, isso seria suficiente para vacinar 50,2 milhões de pessoas, menos de um quarto da população.

Apenas no começo deste ano o governo assinou contrato com o Butantan para comprar a Coronavac – 46 milhões de doses em janeiro e 54 milhões em fevereiro. O acordo prevê a entrega do total de 100 milhões de doses até o fim deste mês de setembro.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde assinou contrato com a Precisa para comprar 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, com intenção de comprar outros 50 milhões. Meses depois, na administração Queiroga, esse contrato foi suspenso e depois cancelado, após as revelações dos irmãos Miranda, que foram parar na CPI da Pandemia no Senado.

Apenas em março – depois, portanto, de assinar com a Precisa – o Ministério da Saúde, nos últimos dias da administração Pazuello, assinou contratos com o consórcio Covax (para 42,5 milhões de doses), a Pfizer (100 milhões de doses) e a Janssen (38 millhões de doses). Em maio, Queiroga comprou outros 100 milhões de doses da Pfizer, por quase R$ 1 bilhão a mais que o contrato anterior.

No fim de agosto, o governo enviou ao Congresso o Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2022, reservando R$ 3,9 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid – menos de 15% do orçamento autorizado para este ano.

RelembreQueiroga: Bolsonaro (que ainda não se vacinou) está “pessoalmente empenhado” com vacinação

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