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Aras pode ter motivo pessoal para não investigar presidente do Ibama

Em despacho ontem, Cármen Lúcia disse que PGR se omitiu sobre acusações contra Eduardo Bim e mandou incluí-lo no inquérito de Ricardo Salles
Aras pode ter motivo pessoal para não investigar presidente do Ibama
Foto: Adriano Machado/Crusoé

No despacho em que determinou ontem a abertura de investigação a partir da notícia-crime do delegado Alexandre Saraiva, a ministra Cármen Lúcia alertou para a omissão da Procuradoria Geral da República em relação às acusações contra Eduardo Bim, presidente do Ibama afastado.

“É de se anotar que, conquanto conste expressamente da notitia criminis fatos imputados a Eduardo Bin, quanto a ele nenhum requerimento foi apresentado pelo Ministério Público, tendo o parecer se omitido nesse ponto”, escreveu a ministra, cobrando manifestação urgente do PGR sobre sua “condição processual”.

É curioso que o vice-PGR, Humberto Jacques de Medeiros, braço-direito de Aras, só tenha pedido medidas contra Salles, poupando Bim, que também é investigado no âmbito da Operação Akuanduba e chegou a ser afastado do cargo por determinação de Alexandre de Moraes.

O Antagonista apurou que Eduardo Bim tem como assessor o engenheiro civil Durval Olivieri, um dos fundadores da OAS e ex-marido da subprocuradora Maria das Mercês de Castro Gordilho Aras, esposa do PGR. Durval e Maria das Mercês têm três filhas, hoje enteadas de Aras.

Na página institucional do Ibama, consta que Durval Olivieri usa o mesmo email (presidencia@ibama.gov.br) de Eduardo Bim e uma eventual quebra do sigilo telemático poderia trazer à tona comunicações do próprio assessor.

Contatado por O Antagonista, Durval, que assumiu o cargo há cerca de 1 ano, disse que sua função é de “pesquisa sobre assuntos que o presidente determina” e que “em alguns momentos” também assessora a Presidência da República sobre temas do setor e os próprios diretores do Ibama.

Ele garante que nunca foi consultado ou deu qualquer parecer sobre a mudança da Instrução Normativa 15/2011, pivô da Akuanduba, ou sobre a tentativa de liberação das madeiras apreendidas na Operação  Handroanthus, denunciadas por Saraiva. Durval afirmou ainda que foi selecionado pelo currículo.

 

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