Aroldo, um ministro sem “h” maiúsculo

Ao assumir a presidência do Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Aroldo Cedraz disse que seria implacável com a corrupção e os desvios de conduta. Na realidade, ele está sendo implacável com a honestidade. É um ministro sem “h” maiúsculo.
Aroldo Cedraz arquivou um processo contra outro ministro, Walton Alencar, que fazia as vezes de espião do governo que deveria fiscalizar, quando Lula era presidente. Em troca, Walton Alencar obteve vantagens, como a nomeação da sua mulher, Isabel Galotti, para ministra do Superior Tribunal de Justiça. A interlocutora preferencial de Walton Alencar no Palácio do Planalto era Erenice Guerra, aquela que fazia lambanças na Casa Civil, na época em que Dilma Rousseff, ex-guerrilheira de esquerda, era ministra.
A pior intervenção de Aroldo Cedraz, contudo, foi no processo que corre no TCU sobre a compra da refinaria de Pasadena. Depois de pedir vista e passar meses com o traseiro em cima do processo, ele o liberou para que continuasse o julgamento em plenário, como informou com exclusividade O Antagonista. Hoje, no entanto, soube-se o conteúdo das suas recomendações.
Aroldo Cedraz propõe indecências ao novo relator do processo, o ministro Vital do Rêgo — especialmente escalado pelo PMDB e PT para “matar no peito” a encrenca no TCU, depois de ter assassinado as CPIs da Petrobras no Congresso. A primeira delas é que reverta o bloqueio dos bens de executivos e ex-executivos da Petrobras, medida tomada para fins de ressarcimento dos cofres públicos. A segunda é que reveja para baixo o valor do prejuízo total causado pela compra da refinaria de Pasadena, avaliado pelos auditores do tribunal em 792 milhões de dólares. 
O ministro sem “h” maiúsculo facilitou, assim, o servicinho de Vital do Rêgo — cuja indicação para o atual cargo, não custa lembrar, foi também aplaudida pelo PSDB, em especial o senador Aloizio Nunes Ferreira.
A pizza do Petrolão começou a assar no TCU.


Aroldo, o implacável com a honestidade

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