As aspas de Edinho

Os jornais publicaram relatos cheios de aspas do encontro de ontem entre Dilma Rousseff e Michel Temer.

Temer reclamou do “ambiente de intrigas e fofocas” no Palácio do Planalto e Dilma respondeu que nunca duvidou da “lealdade” do vice-presidente.

Os repórteres andam conversando demais com Edinho Silva.

Bernardo Mello Franco ignorou os vazamentos seletivos do ministro da Propaganda petista e fez, na Folha de S. Paulo, o melhor comentário sobre o assunto:

“A saída de Michel Temer da coordenação política é uma péssima notícia para Dilma Rousseff. A decisão do vice agrava o isolamento da presidente e fortalece os setores do PMDB que pregam o rompimento com o Planalto.

Em abril, Dilma pediu ajuda a Temer para conter o derretimento de sua base no Congresso. Ele reabriu o balcão para negociar cargos e verbas federais. O arranjo deu um alívio momentâneo ao governo, mas não foi capaz de pacificar as relações com o Congresso. Não havia dinheiro para saciar todo o apetite dos parlamentares, e o grupo de Temer começou a bater de frente com os petistas.

O afastamento se tornou uma mera questão de tempo, até ser formalizado nesta segunda-feira. O anúncio de Temer foi festejado pela ala do PMDB que torce pela queda da presidente. Quem conspirava às escuras ganhou um incentivo para passar a agir à luz do dia.

A oposição também viu motivos para se animar, apesar de o peemedebista ter renovado as suas juras de lealdade a Dilma. No fim das contas, a saída da coordenação política o devolverá ao papel clássico de um vice: aguardar a eventual saída do titular para substitui-lo”.