As lições do delator

Em todos os depoimentos ao TSE, o ministro Herman Benjamin deu liberdade aos executivos da Odebrecht para que fizessem considerações gerais sobre a corrupção no sistema eleitoral.

Benedito Júnior, principal executivo do grupo abaixo de Marcelo Odebrecht, atacou o modelo de campanha que consome milhões e estimula o caixa 2. Segundo ele, “há uma máquina implantada e que se movimenta a cada dois anos”.

“Eu sou uma peça involuntária e o partido é uma peça involuntária, porque quando ele é obrigado a fazer uma campanha que tem que ter um João Santana, que cobra cinquenta milhões de reais para fazer um negócio, criar um país que não existe… O senhor acha que tem lógica gastar cinquenta milhões para iludir o povo?”

BJ também defendeu a unificação das eleições a cada quatro anos.

“Se o senhor pode contribuir, unifique as eleições, deixa o país trabalhar três anos, pelo menos, porque ele pára a cada dois para ter um, porque depois quem ganha a eleição demora um ano para tomar pé da situação.”

Para BJ, criou-se um mercado e os partidos são ferramentas “que foram usadas por um sistema que se alimenta disso”. “Talvez os políticos, não. Os partidos foram usados.”