As reações no Congresso à acusação de Eduardo Bolsonaro de que China usa 5G para espionagem

As reações no Congresso à acusação de Eduardo Bolsonaro de que China usa 5G para espionagem
Foto: Reprodução/redes sociais

O novo atrito diplomático com a China provocado por um tuíte de Eduardo Bolsonaro — que acusou a Huawei de usar o 5G para espionagem — segue repercutindo negativamente no Congresso Nacional. O Antagonista ouviu deputados e senadores sobre o episódio.

O deputado Júnior Bozzella (PSL) disse que “Eduardo é mestre na arte de falar boçalidades”.

“A declaração sobre a tecnologia 5G chinesa foi de uma ignorância e irresponsabilidade que podem ter consequências graves para o país e trazer prejuízos sem precedentes. A China vem sendo o maior parceiro comercial do Brasil nos últimos 11 anos, é inacreditável como a total falta de habilidade política do Eduardo consegue comprometer o governo em absolutamente todos os aspectos. A última coisa que o Brasil precisa em um momento de crise como o que vivemos hoje é de alguém falando sandices e arruinando a diplomacia com o nosso principal parceiro comercial”, acrescentou Bozzella.

O deputado petista Paulo Pimenta afirmou que “o filho do presidente é acometido da mesma síndrome do pai: diarreia verbal”.

“O problema é que as consequências não são para família, mas para o país. Eduardo é um inconsequente que deve ser denunciado. As instituições precisam mostrar claramente que ele não representa o Brasil. Talvez pense que bajular os Estados Unidos hoje lhes garanta um salvo conduto no futuro, quando tiverem que pagar por todos os crimes que estão envolvidos”, emendou Pimenta.

O deputado Marcelo Ramos (PL) disse que “a questão do 5G não é ideológica, é comercial”. E acrescentou que “o critério deve ser a melhor tecnologia e o melhor custo”. “A fala do filho do presidente é caricata e para fazer média com seus caricatos apoiadores. Não pode ser levada a sério, porque é uma molecagem ideológica.”

Para o senador Jorge Kajuru (Cidadania), “Eduardo acionou a boca e não ligou o cérebro, que, aliás, quase não usa. Fica a pergunta: será que o tem?”.

O senador Major Olimpio (PSL) também classificou a declaração de Eduardo como “molecagem”.

“Mais uma molecagem de um irresponsável que se acha príncipe herdeiro. Totalmente inconsequente. Para ganhar curtida e lacrar, é capaz de colocar o país e o pai nesta situação vexaminosa. Na diplomacia, é um verdadeiro fritador de batatas”, disse.

Já o deputado Júlio Delgado (PSB) afirmou que “o Brasil caminha para um isolamento internacional”. Enquanto o senador Alessandro Vieira (Cidadania) disse que “é preciso avisar à China que a opinião desse cidadão é tão irrelevante quanto seu desempenho parlamentar”.

Ex-vice-líder do governo na Câmara, o deputado José Rocha (PL) foi um dos poucos a defender Eduardo. Segundo ele, é “opinião de deputado”. “Embaixador não tem motivo para estar repudiando nada. O deputado Eduardo Bolsonaro, por mais que seja próximo do presidente [ele é filho], não fala em nome do governo”, argumentou.

O deputado Fausto Pinato, que preside a Frente Parlamentar Brasil-China, renovou suas críticas:

“A esta altura, o governo chinês já está direcionando seus investimentos e suas compras para outros países. Logo seremos carta fora do baralho para a gigante China. É chegada a hora de parar de repetir no Brasil as palhaçadas encenadas por Donald Trump e Olavo de Carvalho. Temos que parar de bater bumbo pra doido dançar.”

O senador petista Humberto Costa também avaliou que acusações como a de Eduardo são “algo nefasto para o país, complemente sem sentido”.

“Ele tem o direito de falar o que quiser, mas a China tem o direito de comprar de quem quiser. Ninguém está querendo que ele pare de falar essas bobagens. Mas, sendo filho do presidente, isso tem um peso muito grande e, sem dúvidas, abala as relações comerciais entre os dois países.”

O senador Weverton Rocha (PDT) disse ser “muito ruim ver um deputado, filho do presidente, prejudicando os interesses comerciais e econômicos do Brasil”.

“E isso por conta de teorias conspiratórias e interesses de setores da política dos Estados Unidos, que já foram derrotados nas urnas de lá.”

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos) perguntou se o Brasil “precisa mesmo criar problema com nosso maior parceiro comercial”. “O Brasil já tem problemas em quantidade suficiente”, acrescentou.

Integrante da bancada do agro, o deputado Jerônimo Goergen (PP) disse que “cada deputado tem liberdade para se manifestar, mas esse assunto é um interesse comercial de alta relevância”.

“Se o Brasil não tem interesse ou percebe algum risco, basta não fazer o negócio [envolvendo a tecnologia 5G]. Mas ficar atacando ideologicamente parceiro comercial dessa forma nos trará prejuízos mais cedo ou mais tarde.”

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