As reações no Congresso à possibilidade de aval para reeleições de Alcolumbre e Maia

As reações no Congresso à possibilidade de aval para reeleições de Alcolumbre e Maia
Foto: Adriano Machado

A possibilidade de o STF autorizar as reeleições de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, contrariando a Constituição, que é cristalina ao impedir a recondução a cargos da Mesa Diretora na mesma legislatura, tem provocado reações no Congresso.

Como noticiamos mais cedo, o deputado Marcelo Ramos (PL) fez um alerta sobre o risco de isso se concretizar. Para ele, uma eventual autorização por parte do Supremo “abrirá um precedente para reeleições eternas em todos os Poderes” — leia mais aqui.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania) chamou de atitude “escandalosa” e “absurdo no limite do criminoso” se os ministros abrirem brecha para Alcolumbre e Maia tentarem ficar mais dois anos no poder.

“O constituinte originário analisou e rejeitou a possibilidade de reeleição. É cristalino. Depois o Congresso também rejeitou essa possibilidade, sugerida por emenda à Constituição. A razão foi sempre a mesma: necessidade de alternância democrática para evitar os vícios do poder. Uma manobra bizarra do STF para autorizar a reeleição, traduzindo para os leigos, equivale a chamar o VAR para validar gol de mão. É absurdo no limite do criminoso. A mera cogitação é um retrato claro da degradação moral que vivemos”, escreveu no Twitter Vieira, autor dos pedidos de CPI da Lava Toga arquivados sumariamente por Alcolumbre.

Jorge Kajuru, também senador pelo Cidadania, disse a O Antagonista que, se Alcolumbre e Maia puderem se reeleger, “será a confirmação do toma lá, dá cá mais escandaloso dos últimos tempos”. “Se o meu eleitor concordar com isso, eu quero renunciar desse chiqueiro logo após essa votação do Supremo”, acrescentou.

O senador Major Olimpio (PSL) — que, como Kajuru, é pré-candidato à sucessão de Alcolumbre — afirmou que “a Constituição é clara e proíbe reeleição na Câmara e no Senado”. “Será que o STF vai rasgar a Constituição novamente? Ninguém está acima da lei. Se a lei maior diz que é vedado, não tem qualquer lógica jurídica o STF decidir contrariamente”, comentou.

O deputado José Nelto (Podemos) afirmou a este site que tem “apreço” por Maia, mas é preciso respeitar o preceito constitucional. “Isso vai abrir brecha para o terceiro mandato de um presidente da República. É muito perigoso se o STF mudar as regras constitucionais do país”, emendou.

Já Daniel Coelho, deputado do Cidadania, ponderou: “O STF não tem que se meter. O Congresso Nacional, se tiver respeito à democracia, é que não pode permitir a reeleição, como já estabelecido na legislação”.

O deputado José Rocha (PL) também defende que “o STF não tem que se meter na reeleição na Câmara e no Senado”. “É questão interna corporis das duas Casas. E, com certeza, uma mudança só seria possível por meio de uma reforma constitucional.”

“Estão querendo burlar a Constituição, para dar a interpretação de uma única reeleição, que só atenderia ao presidente do Senado.”

O líder do Novo, deputado Paulo Ganime, disse que “o STF adora se meter onde não deve, sob o argumento de que o Parlamento não se posiciona ou que a Constituição não é clara”.

“Nesse tema, em que a Constituição é bem clara e veda a reeleição, eles vão dizer que cabe ao Parlamento decidir? Absurdo!”

Leia mais: Assine a Crusoé, a publicação que fiscaliza TODOS os poderes da República.
Mais lidas
  1. Emendas extras liberadas pelo governo beneficiam aliados de Bolsonaro

  2. Médica de Rondônia ri de intubação de pacientes

  3. Bolsonaro contradiz governador do AM e alega que governo não foi informado de falta de oxigênio

  4. Neymar pai no 'churrasco de leite condensado'

  5. Huck 2026?

Mais notícias
Comentários
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos. Tempo de publicação: 4 minutos
Ler 18 comentários
TOPO