Em meio a crise, bispo de Brasília fala em improbidade e anuncia auditoria para cobrar dívidas de padres

A Igreja Católica na capital do país está enfrentando uma crise financeira, que obrigou o administrador diocesano, dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, a cobrar dívidas dos padres da cidade.

Em uma carta enviada ao clero local na última terça-feira (22), após dizer que é preciso tomar “decisões dolorosas”, o bispo afirma que há paróquias que devem à Cúria Arquidiocesana “somas consistentes de encargos sociais e outros gastos antecipados e nunca ressarcidos”.

Os funcionários das igrejas católicas, por exemplo, geralmente têm como empregadora a Cúria local, ou seja, a administração da Igreja na localidade, que paga os encargos sociais, contando com o devido ressarcimento de cada igreja posteriormente. Além disso, as igrejas precisam repassar, mensalmente, entre 8% e 10% de sua receita para a Cúria.

Dom Aparecido anuncia, no documento, auditoria em igrejas de Brasília, alertando que o próximo passo será “a admoestação formal, primeiro passo do procedimento para a destituição do ofício de pároco por improbidade administrativa”. Pároco é o padre responsável pela igreja.

“Contamos com a seriedade de todos os párocos para evitar situações semelhantes e com a compreensão quando forem tomadas as medidas necessárias para corrigir situações de improbidade”, completa.

A pandemia da Covid-19 afetou o caixa das igrejas, de todas as religiões e não apenas em Brasília. O bispo, porém, não toca nesse assunto — o que causou estranheza entre padres — e, em mais de uma ocasião, fala em improbidade administrativa.

No mesmo documento, dom Aparecido aproveita para pedir a doação de padres para reformar a residência oficial do futuro arcebispo — o cargo está vago desde março e ainda não foi preenchido pelo Vaticano. A casa fica na Península dos Ministros, área nobre de Brasília, e, segundo o bispo, precisa de reparos nos sistemas elétrico e hidráulico, na cozinha e na pintura.

Dom Aparecido é amigo do secretário do papa emérito Bento XVI, Georg Gänswein, e bastante respeitado por cardeais. Ele atuou 23 anos no Vaticano, antes de ser escolhido bispo auxiliar de Brasília, em 2013, pelo papa Francisco. Assumiu seis meses atrás a função de administrador diocesano, enquanto não chega o novo arcebispo.

Ainda na carta enviada aos religiosos nesta semana, o bispo pede para que os padres evitem a participação em “reuniões festivas” e a “superexposição” nas redes sociais em meio à pandemia.

“As redes sociais não podem se tornar uma janela aberta para um voyeurismo que dissipa. São um instrumento precioso de evangelização, mas também constante tentação. É preciso evitar a superexposição de si. Em tempos como estes, apresentar-se em reuniões festivas ou em situações nas quais aparecem  comportamentos inconvenientes pode suscitar escândalo aos que sofrem”, argumentou.

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