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Bolsolão: e daí?

Não são somente o presidente e seus apoiadores que estão tentando dar ares de normalidade à farra com verbas extras
Bolsolão: e daí?
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Jair Bolsonaro, como noticiamos, diz que o “orçamento secreto é invenção” e chamou jornalistas de “canalhas”.

Não são somente o presidente e seus apoiadores que estão tentando dar ares de normalidade à farra com verbas extrasesquema que este site noticia desde o início de 2020 e que passou a ser chamado de Bolsolão.

Nos bastidores, deputados e senadores também defendem que não há nada demais na distribuição de bilhões em recursos públicos sem critérios e sem transparência. Um parlamentar chegou a dizer a este site que “quem articula em Brasília consegue mais recursos, é da política”.

O Bolsolão fez O Antagonista se lembrar do ex-deputado federal Wladimir Costa (Solidariedade), que, em 2017, recebeu R$ 7 milhões em emendas. Ele foi um dos mais exaltados na defesa de Michel Temer quando da votação das duas denúncias contra o então presidente, ambas jogadas na lata do lixo. Wlad, como gostava de ser chamado, chegou a fazer uma tatuagem com o nome de Temer no ombro direito.

Na época, o deputado admitiu o recebimento das emendas. Releia, por favor, o que ele disse a este site:

“Eu vou fazer o que eu puder fazer pelo meu estado. Não faço só cara de coitadinho, não. Eu me ajoelho aos pés dele [do Temer] e de qualquer ministro. Faço cara de choro, faço tudo. Acho que eu vou fazer aula de teatro, porque minha cara de coitadinho não tem adiantado. A oposição tem conseguido mais liberação de verbas do que eu. Não há um ‘toma lá, dá cá’. O Temer não pede nada, não exige nada. Ele não transformou o gabinete dele em um balcão de negócios. É medíocre um deputado dizer que ao ter uma audiência com o presidente não aproveita o embalo para pedir alguma coisa. Isso não é deputado, é um louco. Eu peço, peço mesmo e vou pedir quantas vezes for preciso.”

No início de 2020, quando O Antagonista revelou o repasse de R$ 3,8 bilhões do Ministério do Desenvolvimento Regional para o grupo de Davi Alcolumbre e outros aliados do governo em Pernambuco e no Amazonas, por exemplo, o então presidente do Senado também reagiu se vangloriando de ter sido o principal beneficiado com o dinheiro.

Por favor, releia também a nota que Alcolumbre enviou a este site na ocasião:

“Por muitos anos, o Amapá foi a terra das oportunidades perdidas. Essa é a prova de que estou me dedicando ao máximo ao Brasil, mas não esqueço do meu Amapá. Como não há a menor dúvida sobre a legalidade da ação, vejo que estou cumprindo o que prometi aos amapaenses e aos brasileiros. Muito trabalho para desenvolver o Amapá e muito trabalho para conduzir, com correção, as pautas de retomada do crescimento econômico do país.”

Bolsolão: e daí?

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