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Bolsonaro assinou compra da Covaxin após uma única reunião com a Anvisa

Laboratórios como Instituto Butantan, a Fiocruz e Pfizer tiveram até 11 reuniões com o órgão para explicar detalhes sobre imunizantes
Bolsonaro assinou compra da Covaxin após uma única reunião com a Anvisa
Reprodução/YouTube

Ao contrário do que aconteceu com outras farmacêuticas, o governo Jair Bolsonaro assinou contrato com a Precisa Medicamentos, responsável pela vacina indiana Covaxin, após uma única reunião técnica entre representantes da empresa e servidores da Anvisa. A empresa nega qualquer tipo de favorecimento por parte do governo brasileiro.

Registros da agência reguladora que já chegaram à CPI da Covid, e aos quais O Antagonista teve acesso com exclusividade, revelam que o encontro entre representantes da Covaxin e técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ocorreu em 20 de janeiro deste ano, para discutir “estratégias de certificação da Bharat Biotech, que produz a vacina Covaxin.”

O contrato com o governo brasileiro para fornecimento de 20 milhões de doses foi assinado pouco depois de um mês: em 25 de fevereiro.

Os dados da Anvisa reforçam a suspeita de integrantes da CPI de que houve favorecimento à Precisa Medicamentos. Como relevamos, suspeitas de irregularidades no contrato foram relatadas diretamente ao presidente Jair Bolsonaro pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

Pelas informações que chegaram à CPI, o Instituto Butantan, a Fiocruz e Pfizer não tiveram a mesma “sorte” que a Bharat Biotech. O Butantan teve 11 reuniões com a Anvisa para explicar detalhes sobre o desenvolvimento do imunizante, antes de o governo brasileiro formalizar qualquer acordo com o órgão; a Fiocruz, mesmo com contrato assinado com o governo, fez três encontros com a Anvisa, assim como a Janssen. A Pfizer teve duas reuniões com a Anvisa: uma delas para precificar a vacina e a outra para pedir agilidade no processo de análise do registro do imunizante.

O contrato para a compra da Covaxin foi o mais rápido entre as fornecedoras de vacinas. Além disso, o governo brasileiro ignorou vários alertas dados pela embaixada brasileira em Nova Déli sobre o desenvolvimento do imunizante. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), articulou mudanças em uma medida provisória que acabou beneficiando diretamente as negociações envolvendo a vacina indiana.

A suspeita dos senadores é de que houve favorecimento ilícito por parte da União após a compra da Covaxin ao preço de R$ 80,70 a dose, valor quatro vezes maior que o pago pela vacina da AstraZeneca, por exemplo.

A Precisa Medicamentos enviou a seguinte nota: “As tratativas entre a empresa e o Ministério da Saúde seguiram todos os caminhos formais e foram realizadas de forma transparente junto aos departamentos responsáveis do órgão federal. Importante destacar que o período entre a negociação e a assinatura do contrato para aquisição da Covaxin levou a mesma média de tempo de outros trâmites semelhantes”.

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