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A origem da polêmica sobre a vacinação de adolescentes

Jair Bolsonaro ligou para Marcelo Queiroga depois de ouvir críticas de uma comentarista da Jovem Pan contrária à imunização da faixa etária
A origem da polêmica sobre a vacinação de adolescentes
Reprodução: Marcelo Queiroga/Twitter

Jair Bolsonaro pediu um posicionamento de Marcelo Queiroga sobre a vacinação de adolescentes na terça-feira (14), enquanto assistia ao programa bolsonarista da Jovem Pan “Os Pingos nos Is”. A informação foi divulgada ao vivo pelo comentarista da emissora Augusto Nunes.

Ontem, o Ministério da Saúde excluiu do programa nacional de imunização contra a Covid pessoas de 12 a 17 anos que não têm comorbidades, recuando de uma orientação dada no dia 2.

Durante o programa, a comentarista Ana Paula Henkel, a Ana Paula do Vôlei, citou um trecho de uma versão do “Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19” do Ministério da Saúde, de 14 de agosto, que dizia que, até o momento, a imunização para menores de 18 anos não estava indicada.

“Atenção: recomenda-se que, antes de qualquer vacinação, seja verificada nas bulas e respectivo (s) fabricante (s), as informações fornecidas por este (s) sobre a (s) vacina (s) a ser (em) administrada (s). Até o momento, no Brasil, a vacinação contra a covid-19 não está indicada para indivíduos menores de 18 anos.”

O documento segue em vigor, como a versão mais recente do PNO. Ana Paula não mencionou que o mesmo plano detalha que a vacinação de todos os adolescentes ocorreria depois de aplicada a 1ª dose nos adultos.

A Anvisa deu aval para a aplicação do imunizante da Pfizer em adolescentes em junho. Em 2 de setembro, uma nota técnica do Ministério da Saúde autorizou a vacinação de toda a faixa etária, incluindo os sem comorbidades. O documento foi deletado do site.

Depois de citar o trecho do plano, a comentarista mencionou dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos sobre o aumento de casos de miocardite após a aplicação da segunda dose e defendeu que adolescentes não fossem imunizados.

“As vacinas talvez tenham demonstrado uma eficácia ou uma proteção para os idosos, mas os números que mostram crianças e adolescentes que contraem a Covid ‘não batem’ com os riscos das vacinas.”

O próprio CDC afirma que, apesar dos casos raros, adolescentes não devem deixar de se vacinar.

Ana Paula defendeu que Queiroga viesse a público para dar explicações sobre o que considerou uma contradição da pasta sobre o uso da vacina da Pfizer.

Diante das declarações, Jair Bolsonaro, que acompanhava o programa, entrou em contato com Augusto Nunes. Segundo o comentarista, o presidente disse que havia conversado com Queiroga, e o ministro teria pedido para avisar que o imunizante seria para “menores com comorbidade que queiram tomar a vacina”.

“O próprio presidente, que acompanha o programa, falou com o ministro Queiroga e pediu para passar a informação para todos nós e para todos os que estão acompanhando, segundo a qual a vacina está apenas disponível para menores com comorbidade que queiram tomar a vacina. Nós estamos até tentando contato com o ministro Queiroga, mas não estamos conseguindo”, disse Augusto.

Minutos depois, o próprio ministro da Saúde enviou um áudio que foi reproduzido pela emissora.

“Em relação à vacinação contra a Covid-19 para adolescentes, existe uma lei, aprovada pelo Congresso Nacional, que coloca como grupo prioritário adolescentes, desde que haja a aprovação da Anvisa e dentro da regulação do Ministério da Saúde. Em função dessa legislação, o Ministério da Saúde incluiu como grupo prioritário os adolescentes que têm comorbidades. Então, esses que têm comorbidades utilizarão a vacina Pfizer, que é a vacina que tem registro na Anvisa e está aprovada para essa finalidade.”

Na live de ontem, Queiroga admitiu que partiu de Bolsonaro o pedido para rever a vacinação para adolescentes. O presidente, no entanto, disse que foi apenas uma “recomendação”.

Na nota oficial sobre a decisão que excluiu adolescentes sem comorbidades do programa nacional de imunização nesta quinta, o Ministério da Saúde afirma que a nova orientação “é baseada, entre outros fatores, em evidências científicas que consideram o baixo risco de óbitos ou casos mais graves da Covid-19 neste público”.

“Nós temos essas crianças e adolescentes que tomaram essas vacinas que não estavam recomendadas para eles”, afirmou Queiroga, em coletiva.

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