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Bolsonaro faz barulho, mas fala de arcebispo não repercutiu nem sequer no clero católico

Dom Orlando Brandes, em uma das missas em homenagem ao dia de Nossa Senhora Aparecida, afirmou que "pátria amada não pode ser pátria armada"
Bolsonaro faz barulho, mas fala de arcebispo não repercutiu nem sequer no clero católico
Foto: Marcos Corrêa/PR

Jair Bolsonaro fez uma confusão — e parece ser proposital — com a fala do arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes (foto), que, ontem, em uma das missas em homenagem ao dia de Nossa Senhora Aparecida, disse que “pátria amada não pode ser pátria armada”.

Bolsonaro foi à basílica à tarde e, na missa da qual participou, o armamento da população não foi tema do sermão do bispo católico. Em razão disso, o presidente da República, com sua beligerância peculiar, insinuou que a imprensa teria inventado a declaração. É mais uma forma de fazer barulho, criando uma realidade paralela, e animar sua claque.

A verdade é que a declaração do arcebispo acabou ganhando destaque, mas não repercutiu nem sequer entre o clero católico, pois o que dom Brandes disse está em consonância com o que a Igreja pensa sobre o tema e, portanto, não se tratou de novidade alguma. A despeito do malabarismo teológico que alguns ultraconservadores fazem para se alinhar ao bolsonarismo nesse tema, a posição da Igreja é contrária ao armamento, sobretudo na forma defendida pelo atual governo.

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, comentando as declarações do colega de Aparecida, limitou-se a dizer a O Antagonista que “não é sensato armar a população”.

Um padre que tem acesso a bispos do país afirmou a este site, em reservado, que o episódio “passou batido”, até porque o atual arcebispo de Aparecida “não tem tanta representatividade”.

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