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Bolsonaro mente e atribui a Randolfe compra da Covaxin, assinada pelo governo

"Se há uma investigação com fortes elementos que podem chegar na base de apoio e no filho dele [Flávio], é essa"
Bolsonaro mente e atribui a Randolfe compra da Covaxin, assinada pelo governo
Reprodução/Randolfe Rodrigues/Facebook

O presidente Bolsonaro foi ao Facebook nesta segunda (19) contar mais uma mentira: acusou o senador Randolfe Rodrigues de “negociar” a Covaxin e comprar “sem licitação” 20 milhões de doses, o que é exatamente o que o governo federal fez.

“Olha quem queria comprar a Covaxin sem licitação e sem a certificação da ANVISA”, escreveu o presidente, exibindo trecho de um vídeo gravado pelo senador em 5 de abril“O Sen Randolfe negociou, em 05/abril/2021, até mesmo a quantidade de vacinas: 20 milhões”.

Tudo o que o presidente escreveu é falso. O governo federal assinou o contrato para 20 milhões de doses da Covaxin em 25 de fevereiro, portanto mais de um mês antes de Randolfe gravar o vídeo.

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Reprodução/Ministério da Saúde
O contrato com a Bharat Biotech, representada pela Precisa, é público e você pode conferir no site do Ministério da Saúde.

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Reprodução/Diário Oficial
A dispensa de licitação foi publicada no Diário Oficial em 19 de fevereiro, dias antes da assinatura do contrato. Obviamente foi uma decisão do Poder Executivo, mais especificamente do Ministério da Saúde então chefiado por Eduardo “um manda e o outro obedece” Pazuello.

Esta não é a primeira vez em que um Bolsonaro acusa Randolfe de fazer o que o governo fez.

Em 25 de junho, o senador Flávio Bolsonaro gravou um vídeo dizendo que seu colega Randolfe havia se reunido com representantes da Precisa em 5 de abril – o que é verdade, quando o contrato do governo com a empresa já estava fechado.

“Eles estão sentindo”, disse Randolfe hoje a O Antagonista.

“Entendo a preocupação do presidente. Se há uma investigação com fortes elementos que podem chegar na base de apoio e no filho dele [Flávio], é essa”.

Em 31 de março, a Anvisa avaliou o pedido de importação da Covaxin feito pelo Ministério da Saúde. O pedido foi reprovado por 5 votos a 0. Portanto, em 5 de abril, quando o senador Randolfe gravou o vídeo, ainda não havia autorização para trazer a vacina indiana ao Brasil.

Em 4 de junho, em uma segunda reunião, a Anvisa aprovou o pedido, com várias condicionantes.

Até hoje, nenhuma dose da Covaxin chegou ao Brasil.

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