Bolsonaro só volta para o PSL "se assumir o comando": os bastidores da reunião no Alvorada

Bolsonaro só volta para o PSL “se assumir o comando”: os bastidores da reunião no Alvorada
Reprodução do Twitter da deputada Caroline De Toni

Jair Bolsonaro, como noticiamos, se reuniu no fim da tarde de ontem, no Palácio da Alvorada, com os deputados da ala bolsonarista do PSL. Foi o próprio presidente quem, fora da agenda oficial, convocou seus “apoiadores raiz” na Câmara.

O Antagonista apurou que o presidente vinha sendo provocado nos últimos dias a explicar para esse grupo o que está acontecendo, após ele ter declarado que poderia voltar para o partido pelo qual foi eleito em 2018.

Ao contrário do clima no grupo do WhatsApp da Aliança pelo Brasil nas últimas semanas, a reunião com o presidente foi “agradável” e “despressurizada”, nas palavras de um deputado que participou da reunião.

O objetivo era “dar uma alinhada com o time do Bolsonaro” e ouvir dele “esse papo de voltar para o PSL”.

O presidente tentou tranquilizar os deputados, dizendo que “nada vai ser decidido agora”. Sobre quando, então, tomará um decisão, Bolsonaro chegou a sinalizar que deixaria para tratar desse assunto “com mais profundidade” após as eleições internas na Câmara e no Senado, marcadas para fevereiro do ano que vem.

Por enquanto, o presidente disse aos bolsonaristas que eventual retorno ao PSL “não está descartado, mas não é algo concreto”. Bolsonaro também falou que “outros partidos”, sem dar exemplos, estão no seu radar.

“A ideia principal ainda é formar a Aliança pelo Brasil, de uma forma ou de outra: seja criando mesmo um novo partido, seja o presidente assumindo algum partido já existente. Ele não vai entrar em um partido para não ter o comando”, comentou esse deputado, pedindo reserva.

Os bolsonaristas prometeram “sigilo” sobre a reunião de ontem. Antes do fim, eles quiseram deixar claro ao presidente que seguiriam “as ordens do capitão”, mas apresentaram uma condição: que “os traidores” do PSL não fossem perdoados, caso o partido seja, de fato, o destino do grupo.

Enquanto ocorria esse encontro no Alvorada, deputados do PSL mais ligados a Luciano Bivar também estavam reunidos, tratando da partilha do fundo partidário. O Antagonista apurou que houve “gargalhadas” na sala, quando um deles avisou aos demais do encontro com o presidente e o grupo considerado adversário. A avaliação foi a de que “a humilhação do fracasso da Aliança está ficando divertida”.

O vice-presidente nacional do PSL, Antonio Rueda, disse ao site, por telefone, que “nada está decidido” e que o retorno de Bolsonaro ao partido “depende dele [Bolsonaro]”. Luciano Bivar, o presidente da sigla, não retornou as ligações.

Leia mais: 'Crusoé' revelou pagamentos da JBS ao advogado de Bolsonaro e a participação do presidente em operação em favor do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista. E os repórteres seguem investigando
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