Bolsonaro usa viagens para turbinar campanhas de aliados

Bolsonaro usa viagens para turbinar campanhas de aliados
Arte: O Antagonista

Jair Bolsonaro tem dito repetidas vezes que “não pretende participar das eleições municipais”. Para manter esse discurso, o presidente deve adiar para dezembro a volta oficial ao PSL. As viagens que o presidente tem feito, porém, desmentem a versão oficial.

Desde que se recuperou da Covid-19, Bolsonaro já fez sete viagens.

A primeira foi a Raimundo Nonato (PI), reduto eleitoral de Ciro Nogueira (PP-PI). Na ocasião, Nogueira e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, anunciaram a destinação de R$ 6,5 milhões para investir no turismo na região.

A prefeita de São Raimundo Nonato é Carmelita Castro (PP), aliada de Ciro Nogueira. Ela chegou a ter o mandato cassado no ano passado, mas reverteu o caso no TRE-PI e agora busca a reeleição.

No mesmo 30 de julho, Bolsonaro foi a Campo Alegre de Lourdes (BA), hoje comandado por Enilson Marcelo (PCdoB). A principal opositora de Enilson é Eurâny Mangueira (Republicanos), aposta do deputado João Roma (Republicanos) para as eleições de novembro.

Roma e Eurâny integraram a comitiva presidencial, inclusive.

No dia seguinte, em Bagé (RS), Bolsonaro participou do lançamento de um condomínio popular construído com recursos federais. Ao lado do presidente, estava o prefeito Divaldo Lara, do PTB de Roberto Jefferson, que tenta a reeleição.

Na viagem, Bolsonaro prometeu mais recursos para a Barragem da Arvorezinha e elogiou a condução de Divaldo durante a pandemia. “Sempre falei: não tem como fugir. Vamos enfrentar. Proteger os mais idosos, quem têm comorbidades, fazer como o prefeito fez aqui em Bagé. Parabéns, praticamente não fechou nada aqui”, disse.

Em 7 de agosto, Bolsonaro visitou obras da Ponte dos Barreiros, em São Vicente (SP). O prefeito Pedro Gouvêa (MDB) teve embates públicos com João Doria, que acusou o emedebista de não ter sido “responsável” ao deixar de resolver o problema da ponte.

Em meio aos embates, o governo federal liberou R$ 57,9 milhões ao opositor de Doria, que começou as obras no empreendimento. Gouvêa tenta a reeleição.

Na semana seguinte, Bolsonaro visitou Belém (PA) e foi ao Rio de Janeiro, para inaugurar uma escola cívico-militar. O presidente foi acompanhado por Marcelo Crivella, candidato à reeleição, que deve enfrentar Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, nas urnas.

Bolsonaro ainda se divide sobre quem poderá apoiar no Rio e em Belém, que tem cenário incerto.

Hoje de manhã, o presidente foi a Aracaju (SE) para a inauguração de uma usina termoelétrica. Bolsonaro apoia a pré-candidatura de Lúcio Flávio Rocha (Avante), do Movimento Brasil 200, para a prefeitura do município.

Em todas as viagens, Bolsonaro posa para fotos e filmagens com os pré-candidatos, que garantem assim os “santinhos” da campanha e até material para a propaganda da TV.

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