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Bolsonaro usou documento apócrifo para falar sobre "supernotificação" de óbitos

Suposta análise mistura trechos de acórdão do TCU sobre transferência de recursos federais para estados com dados de registro civil
Bolsonaro usou documento apócrifo para falar sobre “supernotificação” de óbitos
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Jair Bolsonaro admitiu mais cedo que errou ontem ao dizer que o TCU teria identificado que 50% das vítimas de Covid no Brasil em 2020 morreram por outras causas. Ele afirmou que a “tabela” em que se baseou para fazer a afirmação foi produzida pelo próprio governo com base em um acórdão do tribunal.

O Antagonista obteve cópia da tal “tabela” mencionada pelo presidente. Trata-se de um documento apócrifo intitulado “Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid-19 no Brasil”.

O texto, de duas laudas, faz breve referência ao acórdão 2.817/2020-TCU, que trata de parâmetros para transferência de recursos federais aos estados. Depois, cita uma suposta “variação de óbitos” entre os anos de 2015 a 2020 (a tal tabela), com dados extraídos do portal de Registro Civil.

E conclui, fazendo uma salada de dados:

“Isso pode ser um indício de que a pandemia causou efetivamente cerca de 80 mil óbitos em 2020, 41% dos quase 195 mil óbitos registrados pelas Secretarias Estaduais de Saúde como decorrentes da Covid-19. Os outros 115 mil óbitos apontados como consequências da pandemia podem ter, na verdade, outras causas mortis, ainda que eventualmente os de cujus fossem portadores da Covid-19 quando do seu falecimento.” 

O documento, que circulou em grupos de integrantes do TCU, traz no registro de metadados do arquivo em PDF o nome do auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, que atuou na Secretaria de Controle Externo da Saúde do tribunal até março.

Procurado pela reportagem, Alexandre Marques disse que não poderia se manifestar. O Antagonista encaminhou os questionamentos à assessoria de imprensa do TCU ainda pela manhã e aguarda posição.

O auditor chegou a ser indicado como diretor de compliance do BNDES, no início da gestão de Gustavo Montezano, mas o tribunal decidiu não ceder o servidor.

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