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Bolsonaro vai usar recesso em Brasília para tentar frear queda na popularidade

Ideia é monopolizar debate público, colocando-se como antipetista e explorando falas contra a ideologia de gênero e a favor da família, por exemplo
Bolsonaro vai usar recesso em Brasília para tentar frear queda na popularidade
Foto: Alan Santos/PR

Ao longo do recesso parlamentar e da pausa nas sessões da CPI da Covid, Jair Bolsonaro pretende intensificar declarações públicas numa tentativa de frear a queda de sua popularidade.

Segundo assessores palacianos, a ideia é aproveitar o momento mais morno em Brasília, em tese, para assumir o controle das narrativas.

De fato, Bolsonaro não terá a concorrência direta da comissão parlamentar de inquérito, cujos depoimentos têm sido transmitidos quase que diariamente ao vivo pela TV Senado e outros meios de comunicação.

O presidente vai tentar aproveitar a oportunidade para, antecipando-se ao pleito de 2022, reforçar ideias já defendidas durante a campanha presidencial de 2018 e se colocar, de novo, como o antipetista.

Conforme apurou O Antagonista, o presidente tem sido aconselhado, principalmente por seu filho Carlos Bolsonaro, a turbinar falas, por exemplo, em defesa do voto impresso e a rebater ao máximo as críticas sobre denúncias de corrupção em seu governo. Além disso, o presidente fará de tudo para reforçar bandeiras como o combate à ideologia de gênero e a defesa do armamento da população.

Outro que tem auxiliado o presidente nessa estratégia de comunicação durante o recesso em Brasília e falado até em “domínio de narrativa” é o ministro das Comunicações, Fábio Faria, que tem sido cortejado para ser vice na chapa à reeleição, como noticiamos mais cedo.

Devem entrar nas falas do presidente nos próximos dias mais manifestações a favor da família, contra a pedofilia e a “favor da liberdade”.

Ou seja, o Planalto quer repetir exatamente o mesmo script da campanha presidencial de 2018. Nas palavras de um auxiliar de Bolsonaro, “é hora de virar o jogo”.

De acordo com auxiliares do presidente, Bolsonaro tentará recuperar parte de sua base mais conservadora, perdida ao longo das investigações da CPI da Covid e em meio à pandemia.

Toda essa tática será implementada a partir de duas frentes: manifestações nas redes sociais e entrevistas a veículos alinhados ao governo. Ontem, Bolsonaro deu uma “entrevista exclusiva” à TV Brasil, emissora pública bancada pelo contribuinte — e que, na campanha de 2018, ele prometeu fechar. Hoje à noite, o presidente estará ao vivo no programa Voz do Brasil.

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