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Bolsonaro volta a mentir sobre Covid em entrevista a negacionistas alemães

Presidente repete que números da doença foram 'inflacionados', insiste em 'tratamento precoce' e cita bisavô que já disse ter sido 'soldado do nazismo'
Bolsonaro volta a mentir sobre Covid em entrevista a negacionistas alemães
Foto: Reprodução, @SamPancher/Metrópoles

O portal Metrópoles divulgou nesta quinta-feira (23) um vídeo com trechos de uma entrevista de Jair Bolsonaro aos negacionistas alemães Vicky Richter e Markus Haintz no dia 8 deste mês.

Concedida em Brasília, a entrevista não constou da agenda do presidente nem foi divulgada em suas redes sociais. Na última segunda-feira (20), ela foi publicada nos perfis dos alemães.

Durante a conversa, Bolsonaro voltou a mentir sobre os números da Covid no Brasil: disse que foram “inflacionados” —diversos especialistas e estudos apontam, ao contrário, para subnotificação de casos desde o início da pandemia— e, assim como faria dias depois na Assembleia-Geral da ONU, voltou a insistir no inexistente “tratamento precoce”.

Também alegou que a Covid “apenas encurtou” a vida das pessoas que morreram “por alguns dias ou algumas semanas”, porque “muitas tinham alguma comorbidade” —negando dados que mostram grande número de pessoas que morreram da doença sem ter tido nenhuma comorbidade preexistente.

Na entrevista aos negacionistas, o presidente citou também seu bisavô alemão, Carl Hintze, que já descreveu em outras ocasiões como “soldado do nazismo”.

Reportagem do G1 Campinas em 2018 mostra, porém, que Hintze vivia em Campinas em 1926 e colaborava com um jornal antirracista —Adolf Hitler só chegaria ao poder em 1933, e não há indícios de que o bisavô de Bolsonaro tenha retornado à Alemanha.

Segundo a Deutsche Welle, os alemães que entrevistaram o presidente são ligados ao movimento negacionista Querdenken, que organizou no último ano protestos contra as medidas do governo da Alemanha para frear a pandemia de Covid.

Em abril, informa a DW, o serviço de inteligência interno alemão colocou setores do movimento sob vigilância nacional por suspeita de “hostilidade à democracia e/ou deslegitimação do Estado que oferece riscos à segurança”.

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