Bolsonero e "a beleza das chamas"

Bolsonero e “a beleza das chamas”
Foto: Marcos Corrêa/PR

Como publicamos há pouco, Jair Bolsonaro jogou sobre estados e municípios a responsabilidade pelos 6,8 milhões de testes para Covid-19 encalhados num armazém em Guarulhos. Os testes, que podem perder a validade, foram adquiridos pelo Ministério da Saúde. Disse o presidente da República, ao ser indagado a respeito numa rede social: “Todo o material foi enviado para Estados e municípios. Se algum Estado/município não utilizou deve apresentar seus motivos.”

A notícia foi publicada pelo Estadão, mas a falha na distribuição de testes não vem de hoje. Em 25 de junho, O Antagonista publicou a seguinte notícia:

“O deputado Fábio Trad, primo de Mandetta, disse ser gravíssimo o fato de o governo ainda ter em estoque 5,6 milhões de testes de Covid-19, diante do crescimento avassalador da pandemia.

O Antagonista pediu ao Ministério da Saúde, via LAI, que informe a data de vencimento desse lote que foi adquirido da empresa Seegene, por meio de convênio com a OPAS.

Fontes da pasta afirmam que os testes vencem em novembro e dezembro – e que estados e municípios já não querem receber a carga.

Também é importante esclarecer se esses testes não foram distribuídos antes por problemas logísticos ou orientação do andar de cima, para maquiar o real número de infectados – vários estudos apontam que o total de contaminados pelo novo coronavírus é o triplo do divulgado oficialmente.”

A descoordenação entre governo federal, estados e municípios no combate à pandemia é total. E a culpa é principalmente de Jair Bolsonaro. Como não acredita na gravidade da doença que já infectou mais de 6 milhões de brasileiros e matou quase 170 mil cidadãos, o presidente da República não apenas sabota toda e qualquer medida sanitária contra a propagação da doença, como se acha no direito de eximir-se de qualquer culpa.

Ele não tem esse direito e é culpado. O maior culpado. Caberia ao presidente da República coordenar os esforços. A cada dia que passa, contudo,  Jair Bolsonaro faz mais jus ao apelido de “Bolsonero”. O imperador romano, conta Suetônio na Vida dos Césares, mandou incendiar Roma, para destruir velhas construções e ruas estreitas e sinuosas. Embevecido com “a beleza das chamas”, ele recitou “A destruição de Troia”, endossando uma fantasia teatral. Bolsonaro não se compadece dos semelhantes que morreram de Covid-19 nem dos cidadãos que perderam familiares e amigos. Assiste ao alastramento da epidemia, pelo qual é responsável em larga medida, como um governante que não se importa com a calamidade que assola o seu próprio país e a quem se deve prestar reverência e de quem se deve temer represálias.  Acha que somos todos “maricas”. Que fez a sua parte com o auxílio emergencial e pronto.

Bolsonero.

 

 

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