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Brasil bate a meta em redução de analfabetismo. Mas a questão é outra

O IBGE divulgou hoje que, em 2019, a taxa de analfabetismo entre os brasileiros com 15 anos ou mais ficou em 6,6% (em 2018, era de 6,8%). O país praticamente atingiu a meta de 6,5% estabelecida para 2015 pelo Plano Nacional de Educação. Ou seja, chegamos lá com quatro anos de atraso, sempre lembrando que Jair Bolsonaro só é presidente desde janeiro de 2019. Não vale, portanto, colocar inteiramente a responsabilidade pelo atraso nas costas dele.

A erradicação total do analfabetismo é objetivo estabelecido para 2024. Hoje, o país contabiliza uma população de 11 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, o equivalente a quase uma cidade de São Paulo. Não será fácil alfabetizar esse contigente, que se distribui desigualmente a depender da etnia (três vezes maior entre pardos e pretos do que entre brancos, segundo o IBGE) e da região (o Nordeste foi a única região onde o analfabetismo aumentou ligeiramente de 2018 para 2019).

A cifra divulgada não leva em conta o analfabetismo funcional — a incapacidade do cidadão de interpretar textos, mesmo os mais simples. Nesse quesito, um estudo feito em 2018, pelo Ibope Inteligência, mostra que 21% dos brasileiros não conseguiam ler um calendário, por exemplo. Esse total não deve ter diminuído muito de lá para cá, se é que não piorou.

Ensinar adultos a ler e escrever é uma boa ação que merece ser louvada. Mas a questão é outra, contudo. O que importa para o país é que a totalidade das crianças e pré-adolescentes sejam alfabetizados a contento na escola. Somente assim o analfabetismo funcional será completamente eliminado a médio prazo. Essa é a condição fundamental para que, quando adultos, eles estejam qualificados a exercer funções mais complexas e crescer num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. Essa é a condição essencial para o progresso do país.

A modernidade requer muito mais do que a capacidade de ler e escrever bilhetes. A modernidade requer ensinos básico e médio universais e de boa qualidade que não produzam analfabetos funcionais. A democracia requer.

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