Ciro Nogueira e a sina do baixo clero

Escalado pelo Palácio do Planalto para defender o governo na CPI da Covid, o senador Ciro Nogueira surpreende pelo fraco desempenho.
Ciro Nogueira e a sina do baixo clero
Foto: Givaldo Barbosa

Escalado para comandar a defesa do governo Bolsonaro na CPI da Covid, Ciro Nogueira tem decepcionado o Palácio do Planalto.

Enquanto é considerado um especialista nos bastidores do poder — especialmente na barganha por cargos e recursos –, o presidente do Progressistas se mostra pouco à vontade sob os holofotes.

Num ambiente em que a retórica é fundamental, o piauiense parece ter dificuldade para articular pensamentos, rebater acusações e até para montar estratégias que antecipem os movimentos da oposição.

Na semana passada, já havia chamado atenção o episódio envolvendo a apresentação de requerimentos fabricados por uma assessora do Palácio do Planalto. Hoje, Ciro foi surpreendido por Luiz Henrique Mandetta ao ser interrompido quando lia uma pergunta que, segundo o ex-ministro, teria sido elaborada na verdade por Fábio Faria.

Apesar de estar no Congresso desde 1995, parece um novato que se deixa usar como fantoche e sem o mínimo de domínio sobre o tema da CPI.

“Não empola e mostra inexperiência num ambiente de veteranos. Parece que não deixou de ser discípulo de Severino Cavalcanti, um legítimo representante do baixo clero”, afirma um interlocutor do governo, que já procura um substituto.

“O forte dele é a articulação. Parece que o Palácio não acerta uma”, pondera um senador do G7, o grupo formado por opositores e independentes.

Outro integrante da CPI, sob anonimato, concorda: “Não tem capacidade nem experiência. Nunca participou de comissões, sempre atuou nos bastidores. Parece que nem ele acredita em êxito do governo”.

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