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Como funciona o sistema invasor de celulares que o ministro da Justiça quer comprar

O Antagonista revelou ontem que órgão da PF que fez dossiês de inimigos do governo vai comprar sistema que vasculha redes, aplicativos de chat e dark web
Como funciona o sistema invasor de celulares que o ministro da Justiça quer comprar
Foto: Marcos Corrêa/PR

Como O Antagonista revelou ontem, o Ministério da Justiça realiza hoje um pregão eletrônico para a compra de umasolução de inteligência em fontes abertas, mídias sociais, deep e dark web”. Na prática, trata-se de um sistema invasor de celulares.

Empresas que concorrem para o fornecimento do software fizeram demonstrações ao governo. É possível invadir qualquer celular bastando digitar o código de área e o número do telefone.

O software espião infecta o equipamento e consegue acessar todos os arquivos de mídia, registros de chamada, assim como aplicativos de troca de troca de mensagens, como WhatsApp, Telegram e até os criptografados, como Signal.

Ao invadir o celular, além de identificar sua localização, o software assume o controle de todas as funções em segundo plano, podendo ligar a câmera e o microfone do aparelho, transformando-o numa escuta ambiental.

“É coisa de inteligência de guerra, sem precedentes. E pior, não deixa rastros, sendo impossível qualquer controle e auditoria”, afirma uma fonte que participou da demonstração da ferramenta tecnológica.

Outro interlocutor, da área de inteligência, diz que a ferramenta “poderia ser importante para enfrentar organizações criminosas, diante da criptografia do WhatsApp, FaceTime e outros muito utilizados. Mas deve ser corretamente controlado para que não seja utilizado com propósitos políticos”.

Senadores, como Alessandro Vieira e Veneziano Vital do Rêgo, já se mobilizaram para tentar impedir a compra. “É um perigo na mão de qualquer um, pior ainda com irresponsáveis autoritários”, diz Vieira.

No edital, consta que o objetivo é atender “às necessidades operacionais da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi)”, pivô no ano passado do escândalo envolvendo a fabricação de dossiês contra inimigos do governo Bolsonaro.

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