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Conass pede ações a Queiroga para evitar "colapso" na Saúde; secretarias se mobilizam

Governo da Bahia nega previsão de colapso; em outros estados, contaminação de profissionais motivou reforços nos postos de saúde
Conass pede ações a Queiroga para evitar “colapso” na Saúde; secretarias se mobilizam
Foto: Walterson Rosa/MS

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) enviou carta nesta quarta (12) ao ministro Marcelo Queiroga pedindo uma série de ações para evitar um potencial colapso hospitalar.

“Com 1/3 da população ainda não vacinada com esquema primário completo, o Brasil está vulnerável a uma grande onda de casos, que também poderá acarretar pressão hospitalar. Se o sistema hospitalar entrar em colapso, tanto na rede privada, quanto na rede pública, óbitos evitáveis poderão ocorrer pela não garantia de acesso à internação”, diz o texto, assinado pelo presidente do conselho e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula.

A publicação foi noticiada ontem por O Antagonista.

Na carta, o conselho pede que o governo aumente a oferta de leitos, distribua recursos aos municípios para abrir pontos de testagem em massa, posicione-se pelo cancelamento do Carnaval de rua (mas não todos os eventos de Carnaval), e comece uma campanha para estimular a vacinação de crianças, entre outras medidas.

O primeiro lote de vacinas pediátricas da Pfizer chegou na madrugada desta quinta (13) ao Brasil, quase um mês depois da aprovação da Anvisa, mas ainda não há campanha do ministério na TV, por exemplo.

Em entrevista a O Globo publicada ontem (12), a médica Ludhmila Hajjar, que chegou a ser cotada para ministra antes de Queiroga, disse prever colapso dos sistemas de saúde “em uma semana”. A previsão de Hajjar baseia-se na contaminação de vários profissionais de saúde ao mesmo tempo, e não necessariamente na alta no número de pacientes.

Secretarias estaduais e municipais de Saúde ouvidas por O Antagonista anunciaram posturas e medidas diferentes sobre o novo surto de Covid puxado pela variante Ômicron. Há quem negue a hipótese de um colapso.

Segundo a secretaria da Saúde estadual de São Paulo, “dados desta quarta-feira (12) apontam [que] 1.763 profissionais estão afastados por confirmação de Covid-19 e suspeita de outras síndromes respiratórias na rede estadual, o que representa 1% da rede”.

A secretaria paulista crescentou que “as unidades estaduais têm realizado remanejamentos internos, disponibilização de uma maior carga de plantões extras e notificando as empresas prestadoras para aumentar os profissionais que estão na linha de frente”.

Já a prefeitura de São Paulo informou que na última quinta (6) 1.585 profissionais estavam afastados por Covid ou síndrome gripal. Ao todo, a rede municipal tem 94.526.

A prefeitura acrescentou que “desde 1º de dezembro do ano passado, houve um aumento no número de funcionários afastados por Srag e Covid-19, sem impactos significativos na assistência”, e que foram contratados 280 profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros, em regime de caráter emergencial, em dezembro.

“A medida foi tomada para garantir o atendimento adequado à população em meio ao aumento repentino e significativo de pacientes com sintomas respiratórios”, acrescentou a prefeitura paulistana.

A prefeitura do Rio informou que “de dezembro até hoje, cerca de 5.500 profissionais da rede municipal tiveram períodos de afastamento devido à infecção por influenza ou covid-19. Parte deles já retornou ao trabalho após o período necessário de isolamento”.

A secretaria carioca de Saúde anuciou a meta de “abrir, diariamente, cerca de 30 leitos para tratamento de pacientes com covid-19 no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla”. Na terça (11), foram abertos 50 leitos.

A secretaria da Saúde da Bahia afirmou: “Não temos previsão de colapso”. Segundo o govero baiano, “a alta de casos em profissionais de saúde segue o mesmo parâmetro das demais”, e a abertura de novos leitos “está sendo avaliada”. 

A secretaria da Saúde do Ceará disse que sintomas gripais, incluindo por Covid, “foram responsáveis pelo afastamento de 10% a 15% da força de trabalho nas unidades hospitalares da rede estadual nos meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022”.

Parte desses afastamentos ocorreu por prevenção, por causa do contato com pacientes ou familiares que testaram positivo.

O governo cearense acrescentou que algumas unidades geridas pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH) abriram seleção para mais de 150 vagas temporárias para médicos de diversas especialidades, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas.

O governo do Distrito Federal informou que 3.207 servidores da Secretaria de Saúde se afastaram do trabalho para tratamento de saúde entre 1º e 31 de dezembro, o equivalente a mais de 10% da força de trabalho. Desses afastamentos, 146 foram por Covid, 175 por gripe e 273 “por outros vírus de vias aéreas”.

Sem detalhar outros números, o governo do DF acrescentou que “as escalas dos servidores são ajustadas para não ter nenhum prejuízo à população. Além disso, foram nomeados mais profissionais de saúde recentemente, o que reforça os atendimentos”.

A secretaria da Saúde do Paraná afirmou que “estamos tendo baixas e cumprindo o novo protocolo de isolamento”, com impacto nos postos de saúde e nas UPAs, mas não informou a proporção. E acrescentou: “Estamos sinalizando para as gestões municipais, inclusive com horas estendidas (alternadas) de UBS, pagamento de hora extra, etc.”

A secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul informou apenas que “os leitos já estão destinados para Covid e estão mantidos e não há necessidade de aumento”.

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