Corregedoria do MPF abre sindicância sobre distribuição de processos na Lava Jato em SP

A Corregedoria-Geral do MPF abriu sindicância para investigar a distribuição interna de processos da Lava Jato entre procuradores em São Paulo. A corregedora-geral, Elizete Maria de Paiva Ramos, quer saber se as regras de sorteio de inquéritos e procedimentos foram respeitadas na força-tarefa paulista.

A responsável pelas investigações será a procuradora Raquel Branquinho, que já coordenou a atuação criminal da PGR na gestão de Raquel Dodge.

Ela vai apurar denúncia interna do MPF em São Paulo de que os processos desmembrados da Lava Jato, quando chegam ao estado, não são livremente distribuídos, mas direcionados aos procuradores da força-tarefa.

De acordo com a denúncia, esses procedimentos deveriam ser sorteados entre todos os procuradores de São Paulo, já que, quando decidiu pelo desmembramento, o Supremo disse que os casos não tinham relação com as investigações principais da Lava Jato.

Essas alegações já são investigadas no Conselho Nacional do Ministério Público. Lá, a Lava Jato em São Paulo disse que a conexão entre os casos foi reconhecida por portaria da Procuradoria-Geral da República.

Os casos da Lava Jato em São Paulo têm origem nas delações dos executivos da Odebrecht e a força-tarefa foi criada em portaria da PGR de janeiro de 2020.

Na semana passada, durante live com advogados lulistas, o procurador-geral, Augusto Aras, disse que a Lava Jato em São Paulo criou uma forma de burlar o sorteio de processos. Segundo ele, os procuradores criaram uma “metodologia” de distribuição “personalizada, em que membros escolhem os processos que querem”.

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