Crise política: o que dizem os militares

Millôr Fernandes definiu o xadrez assim: “Jogo chinês que aumenta a capacidade de jogar xadrez”. O Antagonista define golpe militar assim: Jogo latino-americano que aumenta a capacidade de dar golpe militar.

Entendemos o grau de indignação — e exaustão — com os governos do PT daqueles que acham que os milicos deveriam tirar essa gente do poder, mas, antes de 2018, só há uma saída para a situação na qual o país se encontra: o impeachment de Dilma Rousseff, como previsto pela Constituição. Por mais que a realidade brasileira pareça demonstrar o contrário, a democracia continua a ser o pior dos regimes políticos, com exceção de todos os outros.

Há quase 51 anos, o marechal Castello Branco disse o seguinte sobre os políticos civis que procuravam os quartéis para tramar a queda de João Goulart: “Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao poder militar”. Pois é, a extravagância dos granadeiros de 1964 deu no que deu: o surgimento do PT. Aos que defendem a volta dos militares do poder, é importante lembrar também que, se não fosse pela ditadura do pessoal da farda, não haveria Partido dos Trabalhadores.

Esclarecido o nosso ponto, o de que não somos vivandeiras que bolem nos bivaques, O Antagonista repassa aos seus leitores o que ouviu de um ex-ministro da Defesa:

a) O oficialato não quer saber de golpe para derrubar o governo do PT ou qualquer outro

b) As Forças Armadas só intervirão para cumprir o seu papel constitucional de mantenedor da lei e da ordem, sob a autoridade suprema do presidente da República

c) Os generais afirmam que o papel constitucional de mantenedor da lei e da ordem será cumprido em qualquer circunstância — seja para evitar a derrubada pela força do atual governo, seja para conter baderneiros que ameacem a Pátria, caso venha a ocorrer o impeachment da atual presidente da República

Parece pouco, mas não é.