Damares Alves, a ministra dos memes

Damares Alves, a ministra dos memes
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em seu discurso de posse como ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves afirmou: “O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

Disse ainda que o governo de Jair Bolsonaro marcava no Brasil “uma nova era em que menino veste azul e menina veste rosa”.

As primeiríssimas declarações de Damares à frente da pasta, no segundo dia do ano, provocaram reações nas redes. Em menos de 24 horas depois da posse, ficou bastante claro que ela seria uma ministra propícia a memes instantâneos.

Quando arregaçou as mangas (rosas), vieram as mudanças prometidas.

No começo do ano, a ministra suspendeu um contrato de R$ 44,9 milhões da Funai que consistia na elaboração de serviços como criptomoeda para populações indígenas.

Denunciou o ditador Nicolás Maduro na ONU. Negou mais 200 pedidos de anistia. Disse que a execução do hino nacional seria obrigatória nas escolas. Defendeu licença maternidade de um ano e creches públicas para idosos.

Em entrevista à Crusoé, Damares explicou o projeto dos centros de convivência para idosos: “Assim como a família sai de manhã e deixa a criança na creche, a família sai e deixa seu idoso na Casa Dia para ele passar o dia, se alimentar, ter atividade, fisioterapia”.

Também “brigou” para que a Funai permanecesse sob sua pasta, em vez de voltar para o Ministério da Justiça, conforme acordo firmado com parlamentares e o governo.

Funai vai ficar com mamãe Damares, e não papai Moro”, disse.

Apesar de ter perdido a briga, a fundação acabou numa espécie de “guarda compartilhada” entre o ministro da Justiça e dela.

Em agosto, cancelou o Memorial da Anistia em Belo Horizonte. Disse que não tinha “dever algum” de investir recursos públicos em uma obra que já tinha custado cinco vezes mais do que o previsto inicialmente.

Além disso, a ministra quebrou as pernas da indústria da anistia. No primeiro ano de governo, a Comissão da Anistia indeferiu 85% dos 2.717 pedidos de indenização. Damares declarou que apenas seguiu os pareceres técnicos.

Damares é um quadro multidisciplinar do governo Bolsonaro.

Em vídeo gravado em 2013 e que circulou na internet neste ano, Damares diz que a Igreja Evangélica perdeu espaço nas escolas para a ciência.

Ele também teve tempo para criticar personagens de desenhos animados como Pica-Pau e o Popeye. E brincou com a pecha de “doida” que opositores lhe atribuem: “Sou doidinha, mas pelas crianças do Brasil”.

No dia 25 de novembro, a ministra convocou uma entrevista coletiva, não respondeu a perguntas de jornalistas e depois foi embora. O silêncio da ministra, descobriu-se, era estratégia de divulgação de uma campanha de enfrentamento à violência contra a mulher.

A piada que correu em Brasília era de que aquela fora a melhor fala de Damares. Uma injustiça.

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