Retrospectiva 2020

Decotelli: o currículo suspeito do quase ministro

Decotelli: o currículo suspeito do quase ministro
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O professor Carlos Alberto Decotelli da Silva foi escolhido no meio do ano por Jair Bolsonaro para suceder Abraham Weintraub no comando do Ministério da Educação.

Decotelli havia feito parte da transição do governo. Com a indicação de Ricardo Vélez Rodríguez para o comando da pasta no início do governo Bolsonaro, ele assumiu a presidência do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), onde teve atuação apagada.

A escolha de seu nome ocorreu como forma de tentar dar uma imagem técnica ao MEC, em oposição a Weintraub. Mas uma série de revelações de falsidades em seu currículo levaram à queda prematura de Decotelli, apenas cinco dias após a indicação de Bolsonaro.

No mesmo dia em que foi anunciado pelo presidente da República como mestre, doutor e pós-doutor, surgiram as suspeitas de que ele teria maquiado seu currículo Lattes.

A primeira delas foi a de que Decotelli não teria o título de doutor pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, o que foi confirmado no dia seguinte pelo reitor da instituição, Franco Bartollacci.

Tentando consertar a situação, o aspirante a ministro afirmou que, apesar de ter obtido os créditos para apresentar a tese de doutorado, não o fez por não ter recursos para continuar residindo na Argentina.

O Antagonista revelou ainda que Decotelli foi reprovado no exame de qualificação pela banca de doutorado em administração.

Outra acusação foi a de que a dissertação de Decotelli em seu curso de mestrado na Fundação Getúlio Vargas seria um plágio. Submetida a um software para detectar o “copy paste”, verificou-se que 73% da dissertação é copiada, sem os devidos créditos, de relatórios de órgãos governamentais e de trabalhos acadêmicos.

A FGV afirmou ainda que Decotelli não fazia parte do quadro de professores efetivos da instituição, como constava na plataforma Lattes.

Em seu currículo, o quase ministro do governo Bolsonaro também havia incluído a informação de que teria feito pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha. A própria universidade contestou a informação e afirmou que Decotelli, na verdade, passou três meses como pesquisador lá, sem concluir nenhum programa de pós-doutoramento.

Poucos dias depois de ser anunciado como substituto de Weintraub no MEC, a situação de Decotelli ficou insustentável A cerimônia de posse, prevista para o dia 29 de junho, foi desmarcada; já era evidente que ele estava longe de ser a pessoa certa para o cargo (e até agora o cargo continua sem um nome à altura para a sua importância).

Sem ter tomado posse, Decotelli anunciou no dia 30 de junho o seu pedido de demissão. Por fim, ainda afirmou que o racismo influenciou em seu processo de desgaste no governo. Sem ter sido empossado, ele incluiu que foi ministro da Educação no seu currículo.

Leia mais: Leia na Crusoé como o governo corre para garantir as vacinas necessárias para imunizar a população no começo de 2021.
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