Delação rejeitada pela PGR cita oito dos nove ministros do TCU

Delação rejeitada pela PGR cita oito dos nove ministros do TCU
**ARQUIVO** BRASÍLIA, DF, 09.02.2009: Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Aroldo Cedraz, em Brasília. (Foto: Ruy Baron/Valor/Folhapress)

Trechos da delação de Orlando Diniz rejeitados pela PGR citam oito dos nove ministros do TCU, além de um ex-presidente da República, parlamentares e advogados não mencionados na denúncia da operação E$quema S, segundo a CNN.

São citados José Sarney, o deputado Paulinho da Força e o ex-deputado Lelo Coimbra e os ministros do TCU Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Vital do Rêgo, Bruno Dantas, Walton Alencar, Augusto Nardes, Ana Arraes e Benjamin Zymler.

Só sobrou mesmo Augusto Sherman, que é de carreira do próprio TCU.

Os nomes estão nos anexos 6 e 9 da delação. Eles foram entregues pelo delator ao MPF no Rio, mas, como citam autoridades como prerrogativa de foro, acabaram enviados à PGR. A Procuradoria-Geral, porém, decidiu não abrir inquérito sobre o caso.

O foco principal desses anexos é a atuação do advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz.

Como já publicamos, Orlando Diniz enfrentava uma série de processos no TCU e precisava de alguém que o ajudasse a resolvê-los. Ouviu de Sérgio Cabral que precisaria “comprar a solução” e que Tiago Cedraz seria “o vendedor dessa solução”.

O ex-presidente da Fecomércio-RJ contou à Lava Jato que fez algumas reuniões com Cedraz para que o advogado explicasse as diferentes formas de se chegar aos ministros do TCU. “Tiago foi claro em dizer o nome dos ministros que iriam receber valores e/ou favores e como isso se dava na prática”.

“Com o passar do tempo, Tiago começou a dar a Orlando ‘o caminho das pedras’ no TCU. Os dois estavam juntos na sala de reuniões da Presidência da Fecomércio quando Tiago deixou muito claras as suas ligações com o TCU. Orlando fez anotações detalhadas enquanto Tiago elencava o nome dos Ministros e ‘como chegar’ em cada um.”

No caso de Aroldo Cedraz, pai de Tiago, e Raimundo Carreiro, o caminho das pedras seria o próprio Tiago. Para acessar Ana Arraes, era necessário buscar a chefia de gabinete da ministra e que “nem era tão caro”.

No caso de Vital do Rêgo, que foi alvo recente da Lava Jato, era necessário o aval prévio de algum político de relevância, de preferência do MDB. Cabral era um bom caminho. Da mesma forma, era preciso o contato com políticos de relevância para Bruno dantas.

Sobre Augusto Nardes, Diniz disse que Tiago citou supostos operadores: um sujeito conhecido por “borracha”, cujo nome ele não lembrava; e Luiz Veloso, primo de Napoleão Veloso, diretor da Fecomércio, ligado a Júlio Lopes e Francisco Dornelles.

Segundo Orlando Diniz, Tiago operaria no TCU em parceria com o advogado Fabio Viana Fernandes da Silveira, sócio do escritório Galotti Advogados. O ex-presidente da Fecomércio também cita contatos feitos com Walton Alencar, por meio do deputado Lelo Coimbra, e com Benjamin Zymler, através do ex-jogador de vôlei Bernard.

 

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