Delfim Netto, o pensador da direita boçal e da esquerda imbecilizada

Delfim Netto é o que os biólogos chamam de organismo extremamente adaptável. Colaborador entusiasmado da ditadura militar, apoiador de Maluf e Jânio Quadros na redemocratização, defensor do PT depois que Lula chegou ao poder, ele há décadas vem contornando o merecido ostracismo, graças à sua coluna vertebral extremamente flexível e também à simpatia que continua a angariar entre jornalistas de diversas gerações.
Colunista da Folha de S. Paulo, Delfim Netto escreve hoje que “O fenômeno mais grave que estamos vivendo é a generalização da recusa à política que está se apropriando de boa parte da juventude brasileira”. E segue falando de como as universidades replicam um pensamento que está na origem de matrizes autoritárias, tanto da “direita boçalizada”, como da “esquerda imbecilizada”. Não sem antes aliviar para Dilma Rousseff, a ex-guerrilheira de esquerda.
No geral, Delfim Netto estaria certo se ele não fosse Delfim Netto. Mesmo o pior dos canalhas (o que não é o caso de Delfim Netto) tem de respeitar a sua própria biografia. Delfim Netto participou, entusiasticamente, repita-se, da matriz autoritária que permitiu à direita boçal instaurar um regime ditatorial que durou vinte anos. Delfim Netto emprestou (será esse o termo correto?) suporte a ladrões do dinheiro público que, não bastasse a gatunagem, flertaram e mesmo casaram com o autoritarismo. Delfim Netto tenta dar legitimidade intelectual e política à esquerda imbecilizada — e ladra — que reina desde 2002 no Brasil.
Quando o jornalismo aposentará Delfim Netto?

Faça o primeiro comentário

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem.

1200