Assine
Acesse
Acesse o Antagonista+ Acesse a Crusoé

Deputada retaliada pela igreja diz perdoar pastor que se referiu a Leite como "homem indigno"

Em entrevista exclusiva, Geovania de Sá comentou pela primeira vez as reações por parte de evangélicos e "movimentos de direita" à sua postura política
Deputada retaliada pela igreja diz perdoar pastor que se referiu a Leite como “homem indigno”
Reprodução: PSDB

A deputada federal Geovania de Sá (foto) quebrou o silêncio e topou falar pela primeira vez sobre as reações de lideranças da Assembleia de Deus e “movimentos de direita” em seu estado, Santa Catarina, após ela ter anunciado apoio a Eduardo Leite, que se declarou gay recentemente.

Em entrevista exclusiva, a parlamentar disse que só assistiu ao vídeo completo do pastor aposentado Valdir Paulino com críticas à postura dela durante o programa Papo Antagonista de ontem.

Na gravação (assista novamente abaixo, se quiser), o pastor, de pijama, sem nominar o governador do Rio Grande do Sul, que vai disputar as prévias do PSDB, se refere a Leite como “homem indigno” e “homem desse tipo”.

“Ele não diz exatamente qual o motivo, por que não gostou de eu ter anunciado o apoio ao Leite. Não ficou claro para mim. Eu não quero acreditar que seja por esse motivo [pelo fato de o governador ser gay]”, disse Geovania.

“A igreja é lugar de inclusão, de receber as pessoas, de estar de portas abertas para todas as pessoas. Não acredito que a igreja possa estar tendo algum tipo de preconceito assim. Não quero acreditar. A igreja tem que respeitar e incluir. Não tem como excluir, tem que receber a todos”, acrescentou.

A deputada, que está em segundo mandato em Brasília, antecipou que tentará uma nova reeleição em 2022, mesmo sem o apoio formal da igreja que frequenta desde criança. Após o vídeo do tal pastor Paulino, a Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná divulgou uma nota informando a suspensão do apoio à reeleição de Geovania.

“Eu nasci na igreja, fui criada dentro da igreja e estarei nela, independentemente de apoio ou não, porque eu sigo a minha fé. Continuarei defendendo o que sempre defendi, continuarei tendo as minhas convicções. Estou firme e vou para a reeleição. Eu tenho uma história e um legado. Não sou política por causa da igreja. A igreja faz parte da minha vida”, afirmou a tucana.

A deputada também disse que anunciou o apoio a Leite, no início deste mês, como presidente do PSDB em Santa Catarina, em nome da maioria do diretório estadual. Leite concorre com João Doria e Arthur Virgílio Neto: um dos três será o pré-candidato do partido ao Planalto.

“Eu sou presidente de um partido e sei do bom gestor que o Eduardo Leite é. Naquela ocasião, eu estava declarando o apoio da maioria do diretório.”

Geovania disse que tem recebido o apoio de muitos fiéis, após a retaliação institucional por parte da igreja.

“Eu já falei com o Leite sobre o episódio. E, aqui no estado, tenho recebido o carinho de muita gente, que diz que está comigo. E eu vou continuar tocando, cantando e pregando na igreja.”

Questionada sobre se esse episódio pode ser reflexo da resistência do eleitorado evangélico a um candidato a presidente gay, ela respondeu:

“Estamos vivendo um momento meio assustador no Brasil. A gente está vivendo um momento muito difícil. São narrativas e mais narrativas repetidas diariamente. A gente não consegue imaginar como vai ser o ano que vem, não sabemos como o eleitor vai fazer a sua escolha.”

No vídeo considerado por Geovania uma “afronta” a ela, o pastor Paulino, liderança da Assembleia de Deus em Criciúma, base eleitoral da deputada, diz que ela deveria pedir perdão. Geovania decidiu fazer o contrário.

“O pastor é digno de perdão. Não existe qualquer outra posição minha que não seja a do perdão a ele. Claro que, para mim, foi uma surpresa, mas dá para perceber que ele não estava em um bom momento quando fez o vídeo. Para falar tudo o que falou, não estava em um bom momento. Mas, de maneira nenhuma, eu vou ter algum tipo de ódio ou rancor.”

Mais notícias
TOPO