DEPUTADOS SÃO COAGIDOS A DECLARAR VOTO

DEPUTADOS SÃO COAGIDOS A DECLARAR VOTO
Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Governadores, lideranças partidárias e interlocutores do Palácio do Planalto estão coagindo deputados a se manifestarem publicamente sobre a eleição na Câmara, com ameaças de retaliação.

Com inúmeras listas de contagens de votos circulando nas campanhas das duas candidaturas mais expressivas — Arthur Lira (Progressistas) e Baleia Rossi (MDB) –, o que se quer é uma maior segurança do apoio de parlamentares.

A votação, que é secreta, será no próximo dia 1º. Para ser eleito, são necessários, no mínimo, 257 votos, podendo haver segundo turno.

Como temos dito desde o início da disputa na Câmara, esta será, especialmente, “a eleição da traição”. O anúncio oficial de apoio de partidos não está refletindo necessariamente o sentimento das bancadas, que estão rachadas.

“As pessoas não podem obrigar o parlamentar a tomar uma decisão que é só dele. Virou ditadura, virou guerra mesmo. Um Parlamento que não pode ter liberdade para escolher seu presidente não pode ser democrático. Eu nunca vi isso. O que está acontecendo nesta eleição não é bom para a democracia. Se o deputado não pode ter liberdade, como se pode dar liberdade para o povo?”, disse a O Antagonista o deputado Fábio Ramalho (MDB), o Fabinho, que lançou candidatura por conta própria e se apresenta como “terceira via”.

Mais cedo, noticiamos que o deputado Áureo, do Solidariedade, admitiu que perderá três cargos em órgãos federais por ter declarado voto em Baleia. Situações semelhantes, segundo Fabinho, estão ocorrendo igualmente “do outro lado”.

“Governadores também estão tirando cargos de quem está declarando voto no Lira. Estão obrigando os deputados a declararem voto, a gravarem vídeos. É uma interferência externa muito ruim. Quem ganhar vai ser presidente dos governadores, do governo federal, dos partidos ou da Câmara dos Deputados?”, provocou.

No início deste mês, O Antagonista ouviu dezenas de deputados sobre o fato de a votação para a eleição da Mesa Diretora ser secreta. O argumento predominante entre os apoiadores da regra vigente é o de que o “segredismo”, como já definiu Davi Alcolumbre“evita retaliações e constrangimentos”. Pelo jeito, não está adiantando muito. A votação tem que ser aberta.

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